Raphael Clímaco é o destaque da nova capa digital da Conexão Magazine. Veterinário por formação e empresário por vocação, o CEO da Plamev personifica uma nova safra de líderes que decidiram trocar o jaleco pela gestão estratégica. Sua trajetória é marcada pela compreensão de que, para transformar o setor pet de forma sustentável, é preciso ir além do consultório e dominar os pilares que sustentam um negócio escalável: finanças, cultura e processos.
À frente de uma das empresas que mais crescem no segmento, Clímaco defende que o grande gargalo do mercado veterinário é a dependência do “feeling”. Para ele, o crescimento real nasce da substituição do improviso pelo método. Sob sua liderança, a Plamev consolidou-se através de uma tríade poderosa: clareza de propósito, receita recorrente e uma cultura de execução implacável, provando que um negócio precisa ter alma, mas deve ser decidido com base em dados.
Com uma visão prática e direta, o empresário tem sido uma voz ativa na redefinição da liderança no setor. Ele provoca profissionais a saírem da cadeira de operadores para assumirem o papel de donos, enfatizando que delegar não é perder o controle, mas ganhar a liberdade necessária para construir o futuro. Para Raphael, a gestão profissionalizada é o que separa um hobby de um sistema capaz de gerar lucro e impacto em larga escala.
Nesta entrevista exclusiva, Clímaco detalha o “clic” que mudou sua carreira, analisa os erros comuns de quem administra sem indicadores e explica por que a disciplina da execução é o pilar mais desafiador de se construir. Ele ainda compartilha conselhos realistas para quem deseja escalar seu negócio e revela como sua formação em cuidar de vidas o ajudou a entender que cuidar de uma empresa é, no fundo, uma forma de cuidado coletivo.
Confira agora o papo na íntegra:
Em que momento você percebeu que, para gerar mais impacto no mercado pet, precisaria sair do consultório e assumir de vez o papel de gestor?
Foi quando eu entendi que o problema não estava só no atendimento clínico. Eu podia ser um ótimo veterinário, salvar vidas todos os dias, mas se a empresa fosse frágil, o impacto acabava ali. Teve um momento bem claro em que percebi que, se eu continuasse só no consultório, eu seria apenas mais um bom profissional. Quando assumi a gestão, passei a cuidar não só dos animais, mas das pessoas, dos processos e da sustentabilidade do negócio — e aí o impacto virou escala.
Você costuma dizer que o maior gargalo do mercado veterinário está na gestão. O que mais te chama atenção nos erros mais comuns de quem ainda administra no feeling?
O principal erro é confundir intuição com improviso. Feeling é importante, mas sem número, sem processo e sem rotina de gestão, ele vira chute. Vejo muita gente trabalhando muito, atendendo bem, mas sem saber margem, sem controle de caixa, sem indicador claro. A clínica cresce no esforço, não no método. E esforço cansa. Método sustenta.

A Plamev cresceu apoiada em propósito, previsibilidade e cultura de execução. Qual desses pilares costuma ser o mais difícil de construir na prática e por quê?
Sem dúvida, cultura de execução. Propósito todo mundo gosta de falar, previsibilidade vem com método, mas execução exige disciplina diária. É fazer o básico bem feito, todo dia, mesmo quando não dá vontade. É transformar plano em rotina. Cultura não nasce no discurso, nasce no exemplo — e isso exige constância do líder.
Como foi o processo de aprender a lidar com finanças, pessoas e estratégia depois de uma formação totalmente voltada para o cuidado com vidas?
Foi desconfortável no começo, sendo bem honesto. A faculdade te prepara para salvar vidas, não para pagar boletos, liderar pessoas e tomar decisões difíceis. Mas eu entendi rápido que gestão também é cuidado. Cuidar da empresa é cuidar das pessoas que trabalham nela e das vidas que ela atende. Quando virei essa chave, estudar finanças, liderança e estratégia deixou de ser obrigação e virou responsabilidade.
Para o veterinário que sonha em escalar o negócio, mas ainda tem dificuldade de delegar e sair do operacional, qual é o primeiro passo mais realista para sentar na cadeira do dono?
O primeiro passo é parar de querer ser indispensável. Dono não é o que faz tudo, é o que constrói um sistema que funciona sem ele o tempo todo. Começa pequeno: documenta processos, treina alguém melhor do que você naquela função e aceita que não vai ficar perfeito de primeira. Delegar não é perder controle, é ganhar tempo para pensar o negócio.




































