Pingguim é o rosto que estampa a nova capa digital da Conexão Magazine. De São Bernardo do Campo e com o pé no bairro Zaíra, em Mauá, o músico traz para a linha de frente do mercado fonográfico uma identidade forjada nas ruas do ABC paulista. Com uma trajetória que une a crueza do asfalto à sensibilidade de quem entende o tempo como aliado, ele assume o protagonismo em um momento decisivo de sua carreira.
Este capítulo marca a chegada do artista à Midas Music, sob a produção de Rick Bonadio. Mais do que um contrato, a parceria simboliza um alinhamento histórico: Pingguim agora trabalha com o produtor que assinou as obras de suas maiores referências de formação. O lançamento do single “O Tempo e a Distância” é o cartão de visitas dessa nova fase, apresentando uma sonoridade que não foge da vulnerabilidade, mas a utiliza como combustível para o amadurecimento.
O som de Pingguim não aceita rótulos rígidos, preferindo o trânsito livre entre o rock, o hip hop e o reggae. Influenciado pelo peso de O Rappa, a atitude do Charlie Brown Jr. e a espiritualidade do Natiruts, o músico constrói uma narrativa urbana que serve como ferramenta de conexão. É uma estética que entende o caos da cidade, como o da Praça Roosevelt, cenário de seu novo clipe, mas que busca o silêncio interno necessário para a transformação.

Nesta entrevista exclusiva, o cantor revela os bastidores de sua estreia na Midas e como a convivência com Bonadio tem refinado sua entrega artística. Ele reflete sobre a necessidade de encerrar ciclos, o poder da “lucidez emocional” e os desafios de manter a autenticidade em um mercado de aparências. Pingguim fala sobre a música como um ato de coragem e explica por que, às vezes, partir é a única forma de se encontrar. Confira o bate papo:
“O Tempo e a Distância” fala sobre escolher a paz mesmo quando isso significa encerrar ciclos e atravessar momentos de solidão. Como essa canção nasceu e de que forma ela reflete um momento pessoal da sua vida?
Essa música nasceu de um momento muito verdadeiro da minha vida, de entender que nem sempre insistir é o caminho. Às vezes, escolher a paz significa aceitar que algumas coisas precisam terminar ou se afastar para que a gente possa continuar evoluindo. “O Tempo e a Distância” fala exatamente sobre isso: sobre respeitar os processos, entender que o tempo organiza muitas coisas dentro da gente e que a distância, em alguns casos, também pode ser uma forma de cuidado. É uma música que carrega sentimento, mas também maturidade.
Este single marca o início da sua nova fase na Midas Music, com produção de Rick Bonadio. Como tem sido trabalhar com alguém que também foi uma referência na sua formação musical?
Me sinto privilegiado. O Rick sempre foi uma referência dentro do rock e do pop brasileiro, e muitos artistas que fizeram parte da minha formação passaram pelas mãos dele de alguma forma. Estar agora trabalhando junto, construindo essa nova fase, é quase como fechar um ciclo e começar outro em um nível diferente. Ele tem uma visão muito apurada de música e, ao mesmo tempo, sabe respeitar a identidade do artista. Isso tem sido muito importante nesse processo.
Seu som transita naturalmente entre rock, hip hop e reggae, com influências de O Rappa, Charlie Brown Jr. e Natiruts. Como essas referências aparecem na construção da sua identidade artística hoje?
Essas referências sempre fizeram parte da minha formação musical e da minha forma de enxergar a música. Eu cresci ouvindo artistas que misturavam estilos e que tinham uma mensagem forte nas letras. Então hoje, quando eu componho, isso aparece de forma muito natural. O rock traz a energia, o hip hop traz a atitude e a forma direta de se comunicar, e o reggae traz essa vibe mais reflexiva e espiritual. No final das contas, tudo isso se mistura para formar uma identidade que é muito verdadeira pra mim.
O videoclipe de “O Tempo e a Distância” foi gravado na Praça Roosevelt, em São Paulo. Qual foi a ideia por trás da narrativa visual e como esse cenário dialoga com a mensagem da música?
A Praça Roosevelt tem uma energia muito própria, é um lugar onde diferentes tribos e histórias se encontram. A ideia do clipe era justamente mostrar esse movimento da cidade e, ao mesmo tempo, o processo interno de alguém que está passando por uma fase de reflexão e transformação. A cidade continua pulsando ao redor, mas por dentro a pessoa está reorganizando sentimentos, decisões e caminhos. Esse contraste conversa muito com a mensagem da música.
Você costuma falar da música como uma ferramenta de transformação e conexão. Sendo agora capa da Conexão Magazine, que mensagem ou reflexão você gostaria de compartilhar com quem está acompanhando esse novo momento da sua carreira?
Eu acredito muito que a música tem esse poder de conectar pessoas e de transformar momentos difíceis em algo que faça sentido. Se tem uma mensagem que eu gostaria de deixar, é que cada pessoa tem o seu próprio tempo de amadurecimento e de reconstrução. Às vezes a gente precisa atravessar algumas fases para entender quem realmente é. Essa nova etapa da minha carreira representa muito isso: autenticidade, verdade e coragem de seguir o próprio caminho.




































