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Atriz Mariana Rosa viraliza com vídeos que expõem rótulos femininos em relacionamentos

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Redação CM

7 de abril de 2026

Foto: Vitor Vieira

Em poucos dias, a atriz, roteirista e diretora Mariana Rosa transformou seu perfil no Instagram em um dos fenômenos recentes da plataforma. Com uma série de vídeos curtos iniciados no dia 1º de março, a artista saiu de cerca de 18 mil seguidores para mais de 300 mil, impulsionada por um formato simples e altamente identificável: “Meu nome é Mariana e eu sou…”.

A frase de abertura introduz personagens que assumem rótulos frequentemente atribuídos a mulheres em relações afetivas, como “louca”, “dramática” ou “exagerada”. A partir daí, os vídeos desenvolvem narrativas que misturam humor, ironia e desconforto para expor dinâmicas comuns em relacionamentos marcados por abuso psicológico e desvalorização.

Atriz com trajetória no teatro e no audiovisual, Mariana construiu sua linguagem artística a partir da própria prática. “Por muito tempo eu me via como uma atriz que faria parte do projeto de alguém. Não reconhecia em mim um potencial criativo. Foi quando entendi que todo mundo tem algo a dizer e que, se não disser, aquilo nunca vai existir no mundo”, afirma.

A virada começou durante a pandemia, quando escreveu, gravou e publicou seus primeiros textos autorais. “Tive que lidar com a vergonha de me expor, mas fiz do Instagram a minha sala de ensaio. Quanto mais eu criava, mais fortalecia essa musculatura artística”, diz.

O formato atual da série tem origem em um vídeo publicado em 2021, mas ganhou força agora ao abordar, de forma direta, os rótulos que muitas mulheres ainda escutam dentro de relações. “Pode parecer absurdo, mas muitas mulheres não sabem que estão em um relacionamento abusivo. Às vezes, o que se vive é normalizado pelo ambiente ou pelas referências. A informação pode salvar e, quando vem através da arte, tem um potencial imensurável”, afirma.

O impacto dos vídeos vai além dos números. Nos comentários, milhares de mulheres – entre anônimas e figuras públicas – compartilham relatos pessoais, se reconhecem nas histórias encenadas e constroem debates sobre relações abusivas. “O mais forte não é o número de seguidores, mas a conexão. Ler cada comentário, cada desabafo, e ver mulheres se ajudando é algo muito especial. Não se sentir sozinha é um passo importante para quem precisa sair de uma relação violenta”, diz.

A série também chama atenção pela estética e pelo uso de elementos que criam um contraste entre o absurdo e o cotidiano, reforçando o caráter ficcional das narrativas. “Quis trazer um elemento de estranhamento, para deixar claro que não são relatos literais, mas uma construção artística”, explica.

Com formação e atuação no teatro, incluindo indicação ao Prêmio Cenym de 2022 e participação em montagens dirigidas por Sérgio Módena, Mariana agora amplia seu alcance ao usar as redes sociais como extensão de sua linguagem artística.

Para os próximos passos, ela pretende expandir suas criações para outros formatos. “Sinto que tenho muita coisa pra falar, não só por mim, mas como porta-voz de tantas pessoas com quem estou conectada. Quero levar isso para o teatro, cinema e outras plataformas”, afirma.
Saiba mais: @rosamarirosa

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