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Atriz Mayara Mariotto estreia como Carol em “Pietà – Um Fractal de Memórias”, espetáculo que reflete sobre luto e saúde mental 

Redação CM

Redação CM

23 de fevereiro de 2026

Fotos: Divulgação / "Pietà - Um Fractal de Memórias"

Mayara Mariotto retorna aos palcos de São Paulo no dia 28 de fevereiro com o espetáculo “Pietà – Um Fractal de Memórias“, em curtíssima temporada na SP Escola de Teatro (Unidade Roosevelt). No texto de Marcelo Novazzi, com direção de Paulo Gabriel, Mayara interpreta Carol, uma jovem que compõe o mosaico de lembranças do protagonista Pedro (Dan Rosseto) em uma noite de Natal nos anos 80. Ambientada em um cenário de traumas e depressão, a peça utiliza fragmentos de memória para ressignificar dores do passado.

Carol é uma jovem estudante da USP, solar e apaixonante, que representa um porto seguro para Pedro até que o isolamento e a morbidez da depressão dele tornassem a relação insustentável. Segundo a atriz, a decisão de sua personagem em se afastar foi um ato de sobrevivência e amor-próprio: “Acredito que, quando a Carol desiste desse relacionamento é porque, além de não aguentar mais ver o Pedro sofrer com a depressão, quando ele começou a beber ela sentiu que era o momento de desistir. Acredito que tenha sido aquela noção de amor-próprio, no sentido de pensar ‘sou jovem, tenho tanto para viver e ele não quer melhorar, além de me isolar da vida dele. Preciso de mais.’ E isso, para aquela época, acredito que foi bonito da parte da Carol, que sabia que, provavelmente seria julgada”, reflete.

Fotos: Divulgação / “Pietà – Um Fractal de Memórias”

Para a artista, o desenvolvimento em um tema tão delicado como a saúde mental é um compromisso social da arte. Mayara alerta para a perigosa normalização de situações traumáticas no cotidiano atual e a importância da escuta ativa: “Hoje temos até memes sobre abandono parental, hoje criamos piadas com situações que não deveriam jamais virar motivo de riso. Precisamos sempre estar atentos às pessoas ao nosso redor, perguntar com vontade sincera de parar para realmente ouvir e entender a resposta quando perguntamos: ‘Você está bem?’”. Ela acredita que as relações são espelhos de feridas emocionais da criança interior e que o amor, primeiro o próprio e depois o cuidado alheio, é essencial para a cura, embora reconheça que o acompanhamento profissional e clínico seja o pilar fundamental para quem enfrenta a doença.

“É um tema tão presente em nossa vida, e a saúde mental, já é um assunto que sempre pesquisei e investiguei por conta própria. Então fiquei muito feliz quando fui convidada para participar desse projeto. A primeira vez que li, senti uma angústia lendo os relatos da infância do Pedro, lembrando até da minha própria infância, mas também pensando muito no quão normalizado alguns fatos passaram a ser nos últimos anos”, reflete a artista.

A montagem promove um reencontro profissional significativo para Mayara, que divide a cena com seu ex-professor, Dan Rosseto, e com as atrizes Giselle Tigre e Giovana Yedid. Sobre a dinâmica do grupo, ela destaca a generosidade e o apoio mútuo para encenar um texto tão denso: “Trabalhar com o Dan, Giselle e Giovana tem sido um grande presente na minha vida. É um elenco incrível, amoroso e muito generoso. Nós brincamos muito uns com os outros, fazemos aquecimento juntos antes de toda apresentação e estamos sempre com a escuta aberta e atenta ao que o outro precisa no momento”. 

Fotos: Divulgação / “Pietà – Um Fractal de Memórias”

Ao final de cada sessão, a expectativa da atriz é que o público saia tocado pela humanidade da obra, compreendendo que, apesar das dificuldades, a vida é digna de ser vivida. “Eu espero que saiam de cada apresentação com o coração aberto e tocadas na alma, de alguma forma. Que essa peça consiga mostrar que a vida não é fácil, mas é digna de ser vivida, e que apesar de tudo, vale a pena. As pessoas vão rir, vão chorar, vão se identificar nos personagens e também identificar pessoas que conhecem, nesses personagens. Que Pietà ajude a trazer mais clareza sobre a saúde mental, sobre as terapias existentes e uma experiência teatral e artística de qualidade”, finaliza a atriz.

O projeto também simboliza um passo importante na trajetória de gestão cultural da artista, já que sua empresa, a Girassol em Cena – Produções Artísticas, assina como produtora associada da montagem. 

Serviço:
“Pietà – Um Fractal de Memórias”

Data: 28/02 até 15/03 (Sexta e Sábado 20h30 e Domingo – às 18h)
Local: SP Escola de Teatro – Unidade Roosevelt
Endereço: Praça Franklin Roosevelt 210 – Bela Vista 
Contato para informações: 11 3775 8600
Vendas online: https://www.sympla.com.br/eventos?s=piet%C3%A0,%20Um
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). 
Duração: 80 min 
Classificação: 14 anos
Capacidade: 60 lugares

Sobre Mayara Mariotto:

Mayara Mariotto é atriz e fundadora da produtora artística Girassol em Cena. Após iniciar nas artes na infância em Rio Claro, interrompeu a carreira aos 17 anos devido a um luto familiar, seguindo caminhos no Direito e no setor bancário no Canadá. Seu retorno definitivo aos palcos ocorreu durante a pandemia, após um despertar espiritual e o desbloqueio de memórias artísticas enquanto acompanhava o tratamento de saúde de sua sobrinha no Brasil. Desde então, mergulhou em formações profissionalizantes para teatro e audiovisual, reafirmando sua vocação e consolidando sua atuação no cenário cultural.

Sua formação é fundamentada na troca contínua e na pesquisa técnica. Estudou com nomes como Dan RossetoMarcelo Várzea e Eliete Cigarini, além de mergulhar nas técnicas corporais de Luís Otávio Burnier (Lume Teatro/Unicamp) e no Método Meisner com Samantha Maneschi. Para Mayara, a atuação é um processo vivo que se nutre do cotidiano, do estudo constante e da presença no tablado. Além da interpretação, dedica-se ao sapateado e ao ballet, utilizando a expressão corporal como extensão de sua voz artística.

Em 2024 fundou sua própria produtora Girassol em Cena – Produções Artísticas, decisão que consolidou sua visão de autonomia no mercado cultural. Por meio dela, a artista exerce uma visão multifacetada, investindo em espetáculos como produtora executiva e também como atriz, o que permite uma gestão direta de sua identidade no meio. 

No cenário profissional, se prepara para estrear o espetáculo “Pietà – Um Fractal de Memórias”, projeto figura como um divisor de águas na carreira de Mayara, sendo seu primeiro trabalho fora do contexto estudantil. Na obra, que estará em cartaz do dia 28 de fevereiro ao dia 15 de março (todas as sextas, sábados e domingo), no SP Escola de Teatro, ela integra o elenco no papel de Carol, a namorada do protagonista Pedro. Através da Girassol em Cena Produções, que atua como produtora associada do projeto, ela integra a produção, experiência que a fez compreender a importância de investir estrategicamente em sua trajetória. Essa visão de mercado a levou até Buenos Aires, onde, após um curso com o diretor argentino Walter Rippel, Mayara negociou diretamente com a autora da peça premiada que narra a história da mãe do diretor. Como resultado, ela garantiu os direitos de duas obras argentinas para produção e atuação no Brasil, com estreias previstas para 2026 e 2027 e mais informações divulgadas em breve. 

Além disso, após um ano de dedicação aos bastidores como assistente de produção em “Passaporte para o Amor”, Mayara agora assume um novo desafio no palco, integrando o elenco ao lado de Stephano Matolla no papel da personagem Marina.

Guiada pela máxima de Ferreira Gullar, “A arte existe porque a vida não basta”, Mayara encara o teatro como um território vital e necessário. Entre a densidade dos textos e a leveza do sapateado, ela constrói uma carreira que une a precisão da gestão à entrega emocional da cena, reafirmando a cada estreia que a arte é, acima de tudo, um ato de sobrevivência e beleza.

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