Em um país onde o pagode e o futebol são grandes paixões nacionais, o grupo Kamisa 10 encontrou o ponto exato de intersecção entre os dois mundos e vem colhendo os frutos disso. O trio, natural de Goiânia (GO), cidade que é tradicionalmente associada ao sertanejo, tem se destacado no cenário musical com sua linguagem moderna, uma presença digital forte e um som que mistura referências diversas sem perder a raiz do pagode.
O nome, que faz uma clara homenagem à camisa mais cobiçada do futebol, já indica a proposta: assumir um protagonismo com autenticidade. Com mais de dez anos de estrada, parcerias de peso e um repertório que se conecta com o público de forma direta, o Kamisa 10, ou simplesmente chamado carinhosamente por K10, se posiciona como um dos nomes expoentes da nova geração do gênero.
O último DVD do grupo, “Ao Vivo em Brasília“, gravado no Estádio Mané Garrincha, teve seu primeiro EP lançado em junho e já mostrou a que veio: unir duas paixões nacionais música e futebol em um espetáculo audiovisual que retrata um verdadeiro gramado, com os artistas entrando em ação como se fossem os 11 titulares em campo. Conversamos com os artistas sobre a chegada desse projeto, processo criativo, grandes parcerias musicais, início da carreira e a relação com o futebol.
Confira a entrevista exclusiva que o grupo concedeu à Conexão Magazine:
Como foi o começo da banda e como a família de vocês reagiu quando decidiram apostar no pagode e como vocês enxergam o papel do Kamisa 10 na expansão do pagode fora do eixo Rio-SP?
Nós sempre acreditamos que tínhamos algo pra mostrar fora do nosso eixo sertanejo que é Goiânia – GO e desde 2014 com outra formação ainda, sabíamos disso até porque apostávamos muito em músicas autorais desde essa época, pensando muito na identidade do grupo e sobre enxergar nessa expansão do pagode fora o eixo Rio-SP sabemos e garantimos que além do Kamisa 10 que é de uma região tomada por outro gênero musical, o Brasil tem muito talento nesses 27 estados e distrito! Com a gente não foi tão diferente do “menos é mais” que são nossos irmãos aqui de pertinho porque também devido à pandemia aparecemos bastante em cada casa graças às redes sociais e ao YouTube entre outras plataformas! Então hoje a região dominante ainda é o Rio-SP, mas tem pagode e tem talento vindo aí de todo nosso Brasilzão!
A música e o futebol têm uma conexão muito forte no Brasil. Qual o time de cada um? Já rolou alguma história curiosa ou reconhecimento vindo de algum jogador?
Todos nós somos mistos. Torcemos pra 2 times cada um. Erlon – Goiás e Corinthians. Pitchulinha – Cruzeiro e Atlético Goianiense. Angelino – São Paulo e Goiás. E eu, Angelino, tenho muita amizade no futebol devido a isso, futebol e pagode andam bastante juntos. Esses dias mesmo estava junto do Raphinha (Barcelona), Deyverson (Fortaleza), Yago Pikachu (Fortaleza) nessas férias e também tenho uma amizade gigantesca com o Alex Telles (Botafogo) que também acabaram de uns anos pra cá virando meus parceiros porque ambos gostam muito da música PRATA NO BOLSO, que fala exatamente a vida que o jogador de futebol vive!! Mas também cantam outras músicas que o K10 lançam. Isso deixa a gente feliz e assustado ainda sempre, mesmo já tendo aquela amizade, porque sempre sonhamos em ser jogadores também. Então estar ali com eles é sempre bom e faz parte de um sonho pessoal de cada um de nós.

Vocês transitam com muita naturalidade entre estilos, misturando o pagode com sertanejo, rap e outros gêneros. Como surgiu essa vontade de misturar e experimentar musicalmente?
Em Goiânia somos bastante ricos em cultura musical e lá tem vários estilos de casas noturnas que abraçaram o pagode, então pra gente tocar nessas casas fazíamos nossas músicas autorais é claro, mas jamais deixamos de agradar só nosso público, temos que agradar quem tá ali vendo nosso show pela primeira vez e às vezes nem gosta de pagode, então misturávamos os estilos e acabávamos agradando geral. E isso entrou na nossa vibe e identidade. Sem falar que escuto de tudo! Quando falo de tudo é de tudo mesmo! Minha playlist é proibida em festa de família pois na mesma hora que tocar a música “Winter” de Vivaldi (música clássica) também tocará em seguida… Matuê (Trap), depois Cassiane (gospel). Então é um pouco de tudo mesmo! Rsrsrs

Angelino, você assina boa parte das composições do grupo. Como funciona o seu processo criativo?
Gosto de compor já pensando no projeto ou no audiovisual pronto, sabe! Até porque já aderi minha identidade e um estilo mais direto nas minhas composições. Mas ainda estou bem novo nisso. Quero juntar com compositores renomados pra aprender mais ainda. Quando eu falo que sou mais direto é porque não tem tanto a poesia nas músicas. Não uso tanto codinomes ou sinônimos como Djavan ou Caetano, que sou fã por sinal. Minha linguagem é exatamente como o brasileiro mais inteligente e o mais leigo aprenderá aquela música! E eu acho que isso me trouxe até aqui e vou continuar por aí tentando mostrar essa minha vibe pelo Brasil!
O K10 já tem feats com grandes nomes do pagode como Turma do Pagode, Ferrugem, Dilsinho e Thiaguinho. Vocês veem essas parcerias como uma chancela e bênção para essa nova fase do gênero?
Acho que tem um pouco dos 2. Veja só: Antes de começarmos o grupo, eles já vinham mostrando seu som pelo Brasil inteiro e mudando bastante o cenário musical. Temos total respeito e consideração a todos esses citados até porque ainda somos amigos e acho que eles estão sempre nos ajudando e dando conselho quando podem porque o K10 tem uma linguagem parecida com cada um desses, porque tínhamos eles como referência também, mas sempre optando por tentar ter o nosso estilo, pra que alguém que esteja vindo aí possa usar o K10 como modelo um dia!! Então por isso acho que é tanto uma chancela quanto uma bênção!

O último DVD conta com Hugo & Guilherme, Léo Santana, Gaab, Suel, Henry Freitas e Benzadeus. Como foi escolher esses convidados e o que cada um trouxe de especial para o projeto?
Nesse último audiovisual em Brasília tínhamos total interesse em deixar nossa cara mais ainda voltada ao futebol. Ano que vem é ano de Copa do Mundo. Então se for olhar, o palco é um campo e temos 11 participações, como se as participações fossem 11 jogadores no campo e cada jogador (artista) desse tem uma história legal com o K10. Sem falar que foi gravado no Estádio Mané Garrincha na capital do Brasil! Então temos aí o motivo de tanta identificação com o futebol e é claro com o nosso próprio nome: “Kamisa 10”.

Com carisma, autenticidade e uma linguagem que conversa com todas as torcidas do país, o Kamisa 10 dribla rótulos e leva o pagode para novos campos. Se no futebol a camisa 10 é símbolo de protagonismo, na música eles vestem esse número e mostram que vieram pra jogar bonito. Valeu, K10! Até a próxima!




































