Enquanto o mercado financeiro brasileiro se sofisticou para atender clientes cada vez mais exigentes, a formação dos profissionais que atuam no segmento de alta renda pode não ter acompanhado o mesmo ritmo. Essa é a avaliação do economista, educador financeiro e planejador financeiro CFP®️ Fábio Andrades Louzada, fundador da Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF).
Com quase duas décadas dedicadas integralmente ao mercado financeiro, sendo mais de 11 anos e meio em instituições financeiras e sete anos e meio treinando profissionais para o setor, Louzada afirma que existe hoje um desalinhamento entre a complexidade do cliente e a preparação técnica de parte relevante dos profissionais que o atendem.
Ao longo da carreira, atuou na área de investimentos de grandes bancos, atendendo clientes de alta renda e Private. Foi Gerente de Investimentos do Bradesco no interior de São Paulo, Gerente de Investimentos do Santander em Campinas, Advisor do Citibank em São Paulo e, posteriormente, Especialista em Investimentos do Itaú.
“O mercado ainda forma vendedores de produtos. Mas o cliente de alto patrimônio precisa de um estrategista patrimonial”, afirma.
Segundo ele, o empresário brasileiro evoluiu de forma significativa nos últimos anos. Temas como sucessão, estrutura societária, eficiência tributária e diversificação internacional passaram a fazer parte das conversas com mais frequência, elevando o nível de exigência sobre quem atua no Private Banking.
Nesse contexto, Louzada defende que o modelo tradicional de formação financeira, excessivamente centrado em certificações e conteúdo teórico, já não responde às demandas reais do mercado. “A teoria é importante, mas não sustenta mesa Private. O que sustenta é prática, repertório e postura”, diz.

A percepção levou o executivo a estruturar primeiro a Eu Me Banco Educação, focada em certificações financeiras, e, mais recentemente, a Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças, instituição voltada à formação aplicada de profissionais que desejam atuar nos segmentos mais sofisticados do sistema bancário.
A proposta da FBNF é aproximar a sala de aula da realidade do mercado, com análise de casos concretos, simulações estruturadas e professores em atuação ativa no setor.
Para Louzada, o desafio vai além da capacitação técnica: envolve também a reconstrução da confiança entre cliente e profissional financeiro. “O cliente sofisticou, mas a confiança no profissional ainda é limitada. Precisamos formar especialistas que gerem valor real, profissionais em quem o cliente confie como confia no seu médico”, afirma.
Na avaliação do especialista, a próxima década deve intensificar a seleção natural dentro do Private Banking. “O profissional que não evoluir para uma visão estrutural do patrimônio tende a perder relevância. O mercado já começou a refletir essa mudança”, conclui.




































