Foi ainda na primeira infância que a atriz, cantora, dubladora e arte-educadora Giulia Nadruz se deixou cativar pela dança. A conexão com a arte, iniciada através do Ballet Clássico, logo deu espaço para que outros talentos fossem despertados, como o canto e a interpretação, alimentando a certeza de que havia ali um chamado profissional, capaz até mesmo de interromper um curso de Direito, levado só até o primeiro ano, em função dos primeiros trabalhos com teatro musical.
Sempre estudiosa e buscando aprendizado constante, Giulia, que transitou do ballet ao jazz, passando inclusive por dança do ventre, flamenca e Afro, sem nunca deixar de buscar por aperfeiçoamento vocal, praticando do lírico ao canto para teatro musical, e sendo reconhecida por sua versatilidade artística, indo do drama a comédia com facilidade, chega agora ao seu 20º espetáculo do gênero, marcado por uma protagonista de peso, Maria, do clássico “West Side Story”, produção que estreia curta temporada no Theatro São Pedro, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo sob a gestão da Santa Marcelina Cultura, em São Paulo, a partir de 08 de julho.
O novo trabalho, o 4º ao lado da dupla de diretores Möeller & Botelho, com quem fez sua grande estreia nos palcos há 12 anos, em “Gypsy”, fazia parte da lista de produções interrompidas pela pandemia da Covid-19, e, após algumas previsões frustradas de retorno, a atriz celebra enfim a retomada para essa estreia, ainda que tenha conseguido matar a saudade dos palcos nos últimos meses, na pele de Jenny Lind, do premiado “Barnum – O Rei do Show”, que lhe rendeu o recente troféu de Destaque Atriz Coadjuvante no 4º Prêmio Destaque Imprensa Digital, o primeiro da carreira marcada por outras 14 indicações em diferentes láureas.
“Quase não conseguimos acreditar quando estávamos de fato reunidos novamente na sala de ensaio. Não consigo colocar em palavras a alegria que é retomar, não só pelo projeto em si, mas por toda a situação, a forma como tudo aconteceu. Olhando de forma positiva, acredito que todos nós amadurecemos muito, pessoalmente e artisticamente, ao longo desses dois anos de intervalo e teremos uma visão ainda mais refinada sobre a obra”, conta ela sobre as expectativas atuais.
Conhecida por dar vida a importantes personagens femininas de grandes musicais, a exemplo de Susan de “Tick Tick Boom!”, Molly Jensen de “Ghost”, Gabrielle de “Cinderella”, Oona O’neil de “Chaplin”, Condessa de AlmaViva em”As Bodas de Fígaro”, Adina em “O Elixir do Amor”, Princesa Fiona de “Shrek” e Serena Katz de “Fame”, é com Christine Daaé, na segunda montagem brasileira de “O Fantasma da Ópera”, que ela enxerga um verdadeiro divisor de águas em sua carreira até então.
“Muitos trabalhos foram significativos para mim: ‘Fame’ foi minha primeira protagonista, ‘Shrek’ e ‘Ghost’ marcaram muito minha carreira com personagens icônicas do universo do Teatro Musical e do cinema, mas acredito que ‘O Fantasma da Ópera’ foi o grande marco na minha carreira até o momento. Foi a realização de um grande sonho dar vida à Christine Daaé, que é uma personagem cheia de desafios, um prato cheio para qualquer atriz/cantora, além de ser, lógico, a protagonista do musical mais famoso do mundo. Aprendi muitíssimo nesse projeto e, de fato, me colocou como referência na cena de teatro não só do país, mas também do exterior”, celebra ela, prestes a brilhar em novo desafio.
E tão especial quanto dar vida a pupila do famoso “Anjo da Música” será viver a mocinha de um dos maiores sucessos compostos por Stephen Sondheim e com canções de Leonard Bernstein. Maria, papel que já foi defendido por Natalie Wood na versão original dos cinemas, em 1961, e, mais recentemente por Rachel Zegler no remake de Steven Spielberg, contará agora com os contornos de Giulia na nova montagem do clássico, que retorna ao país quase 15 anos depois.
“Essa peça é uma obra-prima, um marco na história do teatro musical e do cinema, e Maria é uma personagem incrível. Me identifico muito com a história, com o repertório e com a energia da personagem. Pesquisei muito sobre a obra, seus autores, sobre Romeu e Julieta (que deu origem ao musical) e Shakespeare, assisti diversas montagens da obra no teatro e no cinema. Me preparei nas aulas de canto e no processo de estudo aprofundado das cenas. O público pode esperar muitas coisas, menos uma mocinha frágil e indefesa (risos). Gosto sempre de fugir do óbvio e criar personagens repletas de humanidade em suas camadas e contradições. O público reconhecerá a essência da personagem, mas de uma forma diferente do que já viram antes”, revela ela.
DOS PALCOS PARA AS TELAS
Sempre conciliando trabalhos paralelos, Giulia se prepara ainda para retornar ao audiovisual em breve, universo que adentrou em 2015, quando as gravações da minissérie global “Dois Irmãos”, exibida em 2017, aconteceram. Baseada no romance homônimo de Milton Hatoum, a produção, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, contou com a atriz no papel de Zahia e lhe proporcionou encontros profissionais com grandes nomes da teledramaturgia como Antônio Calloni, Juliana Paes, Maria Fernanda Cândido e Emílio Orciollo.
Já em 2016, a atriz esteve no elenco das séries cômicas “A Secretária do Presidente”, exibida pelo canal Multishow, onde interpretou Adélia (ou Penélope, seu codinome), e em “A História Bêbada”, uma adaptação do formato do Drunk History, onde deu vida a Chiquinha Gonzaga. Exibida originalmente pelo canal Comedy Central Brasil a produção pôde ser vista também no SBT, como um quadro do programa The Noite do Danilo Gentili, que, além de apresentador, assinou também a supervisão artística do projeto tem a história do Brasil narrada por figuras históricos embriagadas.
Outra forma de conferir o trabalho de Giulia é através das dublagens. Formada desde os 19 anos na escola do também ator e dublador Cláudio Galvan, seu primeiro grande trabalho veio em 2017, com a versão live-action de “A Bela e a Fera”. Bastante influenciada pelos clássicos da Disney desde pequena, a atriz foi escolhida para dar voz à princesa Bela, realizando assim um sonho antigo. Seu bom desempenho acabou transformando a voz de Giulia na voz oficial da personagem no Brasil, em todos os outros projetos da Disney, e lhe abrindo portas para novos trabalhos como nas animações “Viva: A Vida é uma Festa” e “Wifi Ralph: Quebrando a Internet”.
“Eu adoro trabalhar com audiovisual, tenho muita vontade de fazer cinema, ainda é uma área não explorada por mim. Gosto de diversificar, de trabalhar com experiências diferentes, sempre novos desafios. Ainda esse ano, depois do West Side Story, tenho previstos dois projetos no audiovisual: um para streaming e um para o cinema! Em breve poderei dar mais detalhes”, finaliza.









































