Advogada criminalista explica como a violência psicológica e emocional muitas vezes antecede agressões físicas e por que reconhecer esses sinais é essencial para romper ciclos de abuso
A violência contra a mulher continua sendo uma das questões sociais mais urgentes da atualidade. Embora muitas pessoas associem a violência de gênero apenas a agressões físicas, especialistas alertam que os primeiros sinais costumam surgir de forma silenciosa, muitas vezes disfarçados em comportamentos que parecem comuns dentro das relações.
A advogada criminalista Dra. Keliny Polesca, conhecida por sua atuação em defesa estratégica da liberdade e por orientar mulheres em situações de violência, explica que compreender esses sinais iniciais é fundamental para evitar que o ciclo de abuso se intensifique.
Segundo ela, a violência de gênero não se resume apenas a agressões físicas. Muitas vezes ela começa com atitudes que, aos poucos, diminuem a autonomia e a autoestima da mulher.
Violência de gênero é toda forma de dor que nasce da tentativa de apagar uma mulher. Nem sempre deixa marcas no corpo, mas quase sempre deixa feridas profundas na alma.
Na prática jurídica, a advogada observa que muitos casos começam com comportamentos aparentemente sutis. Controle excessivo, críticas constantes, ciúmes disfarçados de cuidado e tentativas de afastamento da família ou dos amigos são alguns dos sinais iniciais que podem indicar um relacionamento abusivo.
Geralmente começa pequeno. Uma crítica, um controle disfarçado de preocupação ou comentários sobre roupas e amizades. Aos poucos a mulher se afasta de quem ama e começa a mudar quem ela é.
Com o passar do tempo, esse processo pode levar a vítima a perder a própria identidade. Muitas mulheres relatam que, em determinado momento, já não se reconheciam mais dentro da própria vida.
Uma das questões mais complexas nesses casos é entender por que muitas vítimas demoram tanto para buscar ajuda. De acordo com a especialista, a própria dinâmica da violência contribui
para esse silêncio.
A violência ensina a mulher a duvidar da própria dor. Muitas passam a acreditar que estão exagerando ou que a culpa é delas.
O medo, a vergonha, a esperança de mudança do agressor e o isolamento emocional também são fatores que mantêm muitas mulheres presas em relações abusivas por longos períodos.
Entre as formas de violência menos reconhecidas estão a violência psicológica e a violência moral. Esses tipos de agressão não deixam marcas físicas, mas provocam impactos profundos na saúde emocional das vítimas.
É a violência que humilha, manipula, ameaça em silêncio e destrói a autoestima da mulher. Muitas chegam ao atendimento sem saber que aquilo também é violência.
Segundo Dra. Keliny Polesca, os efeitos desse tipo de agressão podem se manifestar em forma de insegurança constante, medo de tomar decisões simples e sensação permanente de estar errando.
É uma violência que não aparece nas fotos, mas consome a mulher por dentro.
Outro ponto fundamental no enfrentamento da violência de gênero é o acolhimento. Para a advogada, o primeiro passo para romper esse ciclo muitas vezes começa com algo simples, mas extremamente poderoso: ser ouvida.
A escuta é o primeiro ato de cuidado. Quando alguém escuta sem julgamento, a mulher começa a se reconhecer novamente.
Em muitos casos, a orientação jurídica ajuda a vítima a compreender a realidade que está vivendo. Algumas mulheres só percebem que estavam em uma situação de violência quando alguém consegue dar nome à dor que elas sentiam.
Dar nome à dor é libertador. O Direito, nesses casos, não é apenas lei. Ele também pode ser consciência, proteção e recomeço.
A violência de gênero não afeta apenas a relação entre vítima e agressor. Seus impactos atravessam diferentes áreas da vida da mulher, incluindo maternidade, trabalho, vínculos familiares e saúde emocional.
Muitas mulheres vão se apagando aos poucos. Perdem a alegria de viver, a confiança e a liberdade.
Por isso, combater a violência de gênero é também uma forma de proteger histórias, famílias e futuras gerações.
Para mulheres que vivem essa realidade, Dra. Keliny deixa uma mensagem direta e acolhedora. Você não está exagerando. Você não está sozinha. Nenhuma mulher merece viver com medo.
Reconhecer a dor e buscar ajuda é um ato de coragem. Toda mulher merece viver com respeito, dignidade e liberdade.
Para acompanhar conteúdos sobre direitos das mulheres e orientação jurídica, siga Dra. Keliny Polesca no Instagram: @kelinypolesca





































