Para a CEO da Almerindas, formar mulheres em territórios sem acesso pleno ao saneamento fortalece autonomia, gera renda e amplia o protagonismo das mães na transformação das próprias comunidades.
O Dia das Mães traz à tona uma discussão essencial sobre o papel das mulheres e mães na construção de cidades mais dignas, seguras e saudáveis. Segundo o estudo “O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira”, do Instituto Trata Brasil, o impacto da falta de saneamento na vida da mulher brasileira reforça ainda mais a desigualdade de gênero no país. A publicação aponta que o número de mulheres vivendo em casas sem coleta de esgoto passou de 26,9 milhões para 41,4 milhões em apenas três anos, o que representa uma taxa média de crescimento anual de 15,5% no contingente de brasileiras afetadas pelo problema.
Paralelamente, o cenário doméstico revela outro dado marcante: quase metade dos lares do país é chefiada por mulheres (IBGE – PNAD Contínua 2023). São elas que administram o uso da água, cuidam da saúde da família e direcionam parcela significativa do orçamento doméstico. Todas essas funções são diretamente influenciadas pelo acesso, ou pela ausência — de saneamento adequado. Mesmo sendo diretamente impactadas, essas mães ainda participam pouco das decisões e ações técnicas que transformam seus territórios.
É nesse contexto que a Almerindas, empresa especializada em engenharia, tecnologia e participação social aplicadas ao saneamento, atua para reduzir desigualdades estruturais a partir da capacitação comunitária. A formação aborda desde noções de saneamento e leitura territorial até a execução de obras intradomiciliares, buscando ampliar a empregabilidade local e fortalecer a presença feminina nas ações desenvolvidas nas comunidades.
Segundo a CEO da Almerindas, Deise Coelho, que atua há mais de 40 anos no setor de saneamento, as mães das comunidades ocupam uma posição que combina responsabilidade e potência.
“As mulheres e mães dentro das comunidades são as que mais precisam ser vistas. Quando elas têm acesso ao conhecimento técnico, passam a atuar não só em defesa das próprias famílias, mas como protagonistas na transformação do território. A Almerindas concebeu uma formação para mulheres de comunidades justamente para abrir portas reais, gerar renda e incluir essas mulheres nas decisões e ações que transformam seus territórios”, enfatiza.
A formação será aplicada em obras de saneamento na Região Metropolitana de São Paulo.
Nesse contexto, a atuação da empresa também se estrutura no Connect GIS, plataforma própria de mapeamento territorial que integra dados, visitas de campo e indicadores de desperdício. A ferramenta identificou milhares de moradias fora das bases operacionais utilizadas em determinadas áreas da periferia de São Paulo, evidenciando desafios históricos de atualização territorial e cadastro.
Para o sócio da empresa, Vitor Chaves, o diferencial do Connect GIS está justamente na combinação entre tecnologia e validação comunitária.
“Quando levamos o GIS para dentro da comunidade, cruzando dados com o olhar das mães que vivem ali, descobrimos situações que simplesmente não aparecem nos relatórios tradicionais. Os levantamentos de campo revelaram índices superiores aos registros previamente disponíveis. Sem o olhar local, especialmente o das mulheres, parte da realidade nunca chega ao mapa”, afirma.
Segundo Deise, além da melhoria técnica dos levantamentos, a presença das mulheres nas ações territoriais fortalece o diálogo com as famílias, amplia a adesão às visitas domiciliares e contribui para intervenções mais efetivas e humanizadas.




































