Anitta apresenta seu novo álbum: o aguardado “EQUILIBRIVM”. Articulando referências entre o humano e o sagrado, o projeto traz reflexões sobre espiritualidade, amor, fé e empoderamento feminino, ao mesmo tempo em que explora sonoridades diversas da música brasileira e suas festas. O disco conta com participações de Shakira, Liniker, Marina Sena, Luedji Luna, Ebony, Papatinho, Rincon Sapiência, King Saints, Melly, Os Garotin, Los Brasileros, Ponto de Equilíbrio e Emanazul.
Mais confessional do que nunca em sua carreira, a cantora apresenta canções que vêm de dentro para fora, resultado direto do processo de autoconhecimento que ela atravessou desde meados de 2022, quando problemas de saúde associados ao excesso de trabalho a levaram a refletir sobre o equilíbrio entre corpo, mente e alma. Agora, ela quer inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo, sem abrir mão da ótica pop que se tornou sua marca.
“É um álbum com intenções muito claras, mas muito sutil em tudo. Não estou cantando exatamente sobre religiões ou dogmas, mas sobre amor, cura e cultura brasileira”, explica Anitta. “Mais do que falar sobre os orixás, os santos ou outras figuras religiosas, quero falar sobre os fundamentos que eles nos trazem.”
UMA GIRA DE ENERGIAS E SENTIMENTOS
A inaugural “Desgraça”, que ganha videoclipe às 18h do dia 17, abre o disco com uma referência inesperada: Carmen Miranda. Fã declarada da ícone brasileira, Anitta começa a faixa com um chorinho em estilo anos 40, com filtro sonoro antigo aplicado justamente para evocar essa homenagem. “Eu começo cantando esse sambinho, esse chorinho. E depois vira essa música totalmente potente. No estúdio, a gente tem muitos quadros da Carmen Miranda. Quando a gente começou a fazer essa música, todo mundo olhou e se inspirou nela”, conta a cantora.
A transição é radical: do chorinho vintage, a música mergulha fundo na energia da Pombagira. “Cruzou sete encruzilhadas / Só pra me encontrar / Me deu sete saias pra me impressionar”, ela canta, trazendo referências às sete saias, às sete encruzilhadas e aos agrados feitos aos exus, elementos da umbanda reinterpretados com olhar pop e dançante. “É uma homenagem à minha Pombagira, à Carmen Miranda. Tem todo esse poder e essa potência, mas sempre com respeito e de uma maneira pop”, define Anitta.
“O álbum se organiza como uma gira, na qual cada faixa ativa uma energia distinta, desde ‘Desgraça’, que atravessa a angústia do desamor, até ‘Ouro’, que aponta para um amor próprio ancorado no reconhecimento do real valor da vida”, explica Nídia Aranha, diretora criativa do projeto.
“Mandinga”, em parceria com Marina Sena, é uma das faixas mais ricas dessa construção. A música é dividida em duas partes deliberadas: na primeira, Anitta canta sobre sedução e conquista, com o sample de “Canto de Ossanha”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, criando o clima de feitiço. “A ideia é que a gente comece como se estivesse afeiçoada. Na letra, a gente traz a ideia de mulheres presas num mundo governado por homens, onde a gente faz e se envolve do jeitinho que foi condicionada a fazer por tantos anos dessa prisão patriarcal”, explica Anitta. Na segunda metade, Marina Sena quebra o feitiço e a música vira um manifesto de empoderamento. “Não é uma crítica à forma como eu cantava antes. É como se fosse um processo de transição”, reflete a cantora.
ESPAÇO DE CURA
“EQUILIBRIVM” foi gravado quase inteiramente no estúdio musical da casa de Anitta, no Rio de Janeiro, e isso não é detalhe. A cantora, que voltou a morar no Brasil nos últimos anos para estar perto da família, considera que essa mudança foi decisiva para o processo de autoconhecimento que se reflete no disco.
“Estar no Brasil, junto com os meus, mudou tudo no equilíbrio da minha saúde mental e física. É por isso que eu acho mega simbólico que esse álbum tenha sido gravado quase que todo lá em casa. Ele nasceu desse processo de cura. Fizemos campings criativos maravilhosos, minha casa se transformou num ambiente de trocas artísticas, de liberdade criativa. E eu meio que como curadora de tudo, produzindo e compondo junto. Foi incrível”, relembra Anitta.
Foi em um desses encontros que a cantora e compositora soteropolitana Melly esteve com Anitta e acabou entregando duas músicas para o álbum: “Ternura” e “Casos de Amor”. Além de assinar as composições, Melly empresta sua voz em “Ternura”. “Estivemos em estúdio, trocamos muito sobre a vida, o momento que ela estava”, relembra a artista.
“Ternura” carrega uma delicadeza sonora intencional. A pedido de Anitta, a produção de Iuri Rio Branco incluiu um hang pan, instrumento que, segundo a cantora, “parece que você está tocando dentro da água, dentro de um rio, de uma cachoeira”. A escolha não é acidental: a faixa traz referência a Oxum, orixá do amor e mãe do orixá de Anitta, Logun Edé. “É uma música sobre sentir-se salva pelo amor, num estado interno de doçura. Os arranjos trazem ao mesmo tempo uma profundidade e uma leveza. Me bota para refletir, para curtir, para abraçar a mim mesma.”
“Casos de Amor” vem com vocais do trio de R&B Os Garotin, que também vivenciaram o ambiente criativo do disco. Anitta descreve a faixa como um R&B gostoso que fala de amor num lugar leve, “uma vontade de namorar, de amar, de ficar junto”. A produção de Iuri Rio Branco, segundo ela, “engrandeceu a música 500 vezes”. “A gente sentou pra compor. Ela conversou com a gente, falou muito do que ela estava vivendo nesse momento. Foi uma coisa bem mágica, porque a Anitta é o topo”, celebra o grupo.
A leveza do amor permeia outras faixas da tracklist. Na bilíngue “So Much Love”, Anitta descreve uma faixa que começa com um funk rasteirinha e de repente vira uma música de amor leve e gostosa. “Me traz uma ideia de um amor leve, que não precisa ser sofrido, que te dá vontade de cantar, de viver, de abraçar, de amar, de ser feliz”, define a cantora. A faixa tem ainda versinhos em português improvisados por ela no final. Na já conhecida “Pinterest”, escolhida para abrir a nova era do álbum por trazer o cheirinho do projeto sem dar spoiler demais, a carioca celebra o estado de graça romântica que só é possível quando, antes de tudo, amamos a nós mesmos. “É uma das minhas letras favoritas que já escrevi na minha vida”, declara. “Apaixonada, hoje eu tô assim / Pode ser por você, mas começou foi por mim”, ela canta, ao som de um arranjo inspirado na bossa nova e no samba.
BRASILIDADE
O retorno de Anitta ao Brasil é influência direta nas sonoridades e referências que habitam “EQUILIBRIVM”. O álbum percorre diversas camadas da música brasileira, passando por MPB, samba, bossa nova e funk carioca, enquanto dialoga com reggae, afrobeat e ritmos latinos. Utiliza ainda samples de samba de roda e pontos de religiões de matriz africana, dialogando com funk e rap.
A cultura afro-brasileira inspira o arranjo e a letra de faixas como “Bemba”, parceria com Luedji Luna, em que as artistas celebram a cultura e os costumes da Bahia, estado considerado berço e território de resistência de crenças como a umbanda e o candomblé. “Esse momento da carreira da Anitta é muito importante para um Brasil com um racismo religioso tão grande. Esse trabalho é continuidade de várias gerações que ergueram a bandeira das religiões de matrizes africanas. Mas que, com Anitta, sendo uma artista de projeção internacional, ganha mais impacto. É uma honra fazer parte dessa história, numa canção que simboliza a Bahia e tudo que ela representa”, celebra a soteropolitana.
A Bahia é celebrada também em “Varias Quejas”, revelada de surpresa durante a participação de Anitta no Saturday Night Live, no último sábado (11). Originalmente escrita e lançada em português pelo Olodum, uma das principais manifestações culturais nascidas em Salvador e recentemente relançada em grande sucesso pelos Gilsons, a faixa foi reimaginada pela poderosa em espanhol a pedido de sua empresária, que se encantou com a música durante uma visita ao Brasil. “Já ouvi ela tocando algumas vezes fora do Brasil e pensei: podia ter uma versão em espanhol. Para mim é equilíbrio puro dentro da minha carreira”, define a cantora.
SENTE O TAMBOR BATER
Muito presente em toda a obra de Anitta, o tamborzão do funk carioca se une, em vários momentos, aos tambores característicos das sonoridades afro-brasileiras. É o caso de “Meia-Noite”, parceria com o trio de produtores Los Brasileros, onde Anitta canta em primeira pessoa como a própria Pombagira. “Eu sabia que tava faltando um pouquinho de funk nesse álbum e eu queria um funk potente e poderoso que eu pudesse cantar no show sentindo como se fosse a própria Pombagira falando dela mesma”, conta a artista. A letra fala da força da energia feminina na noite, com referências de umbanda embaladas em produção pesadíssima. “Quando canto essa música me sinto a própria poderosa dama da noite da meia-noite”, define.
A dançante “Nanã” sampleia “Cordeiro de Nanã”, do seminal trio Os Tincoãs, ao exaltar Nanã de Baruquê, a mais velha dos orixás femininos, símbolo de sabedoria e criação. Para Anitta, a faixa carrega um significado que vai além do musical. “A gente fala de Deus e pro mundo inteiro a gente tem um Deus pai. Mas e a mãe? Quem é a nossa mãe? Nanã é esse orixá que simboliza a criação do ser humano a partir do barro. Para mim é muito importante ter uma referência da nossa deusa mulher, porque todos nós viemos de um útero”, reflete a cantora. A canção conta com as participações do rapper Rincon Sapiência e de King Saints, cantora e compositora que colaborou em seis das 15 faixas do álbum. “Foi incrível trabalhar com a Anitta. Essa espiritualidade de matriz africana sempre se fez presente na música brasileira. É importante uma artista do porte dela trazer essa linguagem para um grande público nos dias de hoje”, reflete Sapiência.
A potência ancestral feminina é tema também de “Vai Dar Caô”, com Ebony e Papatinho. A faixa traz referências ao funk que marcou a carreira de Anitta, mas com uma letra mais potente e de rua. Detalhe: o rap que abre a música é da própria Anitta, algo que surpreendeu os fãs nas audições. “Todo mundo pergunta quem está fazendo esse rap. Sou eu, gente. Fui lá, botei o meu flow e saiu um rap”, revela a cantora. A faixa traz ainda o sample de “A Pedido”, clássico do DJ O Mandrake, figura importantíssima do funk carioca, além da participação de Ebony, descrita por Anitta como “potência pura”.
FÉ E CURA
“Eu vejo esse disco como uma tentativa minha de falar sobre diversos tipos de fé. Para quem estiver de coração aberto para ouvir, claro. E digo isso longe de qualquer arrogância espiritual. O equilíbrio é um exercício diário. E o álbum vem para embalar essas buscas internas de cada um. Mas também para transmitir amor, colocar geral para dançar e tocar na noite”, explica a cantora.
“Caminhador”, com Liniker, é descrita por Anitta como “uma poesia em forma de música”. A faixa fala sobre fé em si mesma e a certeza de que as coisas melhoram para quem não para de caminhar, mesmo carregando as próprias dores. “Caminha, caminhador / Caminha e o caminho se abrirá / Caminha, com a minha dor”, cantam as artistas, num trocadilho que Anitta diz amar. Nos visuais da música, a cantora revisita um dos momentos mais icônicos de sua história: quando, ainda criança, ganhou uma bolsa de estudos graças ao carisma demonstrado num desfile da primavera. Convidar Liniker para a parceria foi uma escolha afetiva. “Para mim ela é uma grande caminhadora desse mundo, dessa vida, que eu amo e admiro demais”.
“Deus Existe”, parceria com o grupo de reggae Ponto de Equilíbrio, reflete sobre a busca pela cura espiritual que foi tão importante na trajetória de Anitta. “Aqui eu canto sobre como eu fui provocada pela vida a olhar para ela de outras formas. Não literalmente de Deus aqui, mas sobre o que ele representa para mim”, divide a cantora.
“Ouro” fecha a tracklist e funciona como um mantra, uma meditação colocada em música. A faixa parte de uma reflexão de Anitta sobre o que é, de fato, o equilíbrio: não a mudança para o extremo oposto, mas a busca pelo meio-termo. “Se a gente tá morrendo de frio, a gente não quer morrer de calor. A gente quer parar de morrer de frio”, define a cantora. No início da faixa, ela lê um texto próprio com os pensamentos que utiliza em sua prática diária para encontrar esse lugar central de humildade, reconhecimento e poder pessoal. No final, o duo Emanazul entoa um mantra da deusa budista Tara, trazendo ao álbum uma camada de espiritualidade que vai além das religiões de matriz africana. “É um álbum que fala da pluralidade de crenças, de tudo que faz bem pra gente, de todas as maneiras”, conclui a girl from Rio. “Tô buscando algo que vale mais que o ouro”, ela canta, e esse algo, como o álbum inteiro deixa claro, é o equilíbrio.
AMBIENTE COLABORATIVO
Uma das grandes surpresas do novo álbum foi o anúncio de “Choka Choka”, em parceria com Shakira. A faixa une funk com samba em versos em português e espanhol e carrega uma camada de significado que vai além do encontro entre as duas maiores artistas latinas do momento. Anitta queria trazer ao álbum uma referência aos povos indígenas, a partir da energia da cabocla, entidade que, segundo ela, “traz ensinamentos sobre a convivência entre o ser humano e a natureza”. Nos visuais, a inspiração veio do Quarup, festival indígena que celebra a ancestralidade dos parentes falecidos com dança e alegria. “O conceito principal dos visuais desse álbum era trazer fé e festa. O nosso país celebra muito a fé e a festa juntos. E o Quarup representa exatamente isso”, explica a cantora. A chegada de Shakira ao projeto foi uma surpresa de última hora e a cantora colombiana se dedicou a entender a cultura antes de gravar. “Ela não queria cantar sobre isso sem saber bastante. E ela já veio sabendo bastante. Mas quis saber ainda mais”, conta Anitta.
A diversidade de artistas brasileiros que habitam “EQUILIBRIVM” reflete o espírito colaborativo do disco. “Esse é um daqueles projetos que te fazem sentir parte de um pedaço altamente significativo para a música brasileira. Algo que vai ter um impacto cultural enorme. A Anitta tem esse poder de mudar o jogo e impactar na vida das pessoas. Estar participando disso é absurdo”, celebra Iuri Rio Branco, um dos principais produtores musicais do trabalho.
A compositora Jenni Morsello, que assina cinco faixas do álbum, também comemora: “O disco é um abraço no coração de qualquer artista que acredita que há espaço nesse mundo para ser real. É uma honra poder fazer parte disso.”
POTÊNCIA AUDIOVISUAL
As colaborações de “EQUILIBRIVM” se estendem ao audiovisual, parte central da narrativa que Anitta quer apresentar ao público. Os visuais do projeto entendem o popular como potência cultural, construindo uma narrativa plural e repleta de referências à cultura brasileira.
Nídia Aranha, como diretora criativa, encabeçou junto com a girl from Rio essa narrativa. “A parte visual carrega a mesma intensidade estética e simbólica. Invocamos, com respeito e fundamento, a cultura, o folclore e a mitologia brasileira em sua vastidão. Cada signo carrega uma metáfora viva e uma memória ancestral”, explica.
Felipe Britto, sócio-fundador da Ginga Pictures e responsável pela produção audiovisual dos vídeos do álbum, exalta a dimensão do projeto. “Mais do que clipes isolados, estamos falando de um universo audiovisual pensado de forma integrada, do início ao fim. Chegar a esse resultado só foi possível com um time grande, completo e altamente alinhado, que entendeu a dimensão do projeto e entregou em cada frente o mesmo nível de comprometimento.”









































