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Dia das Mães: cineasta indica 10 filmes que desmontam o ideal de “mãe perfeita” 

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Redação RJ

8 de maio de 2026

Frame de “Pixote: A Lei do Mais Fraco”

De clássicos a obras contemporâneas, lista de Fernanda Schein troca o afeto óbvio por histórias de ausência, conflito e amor em sua forma mais crua 

Nem toda história de mãe é leve e talvez seja justamente por isso que algumas delas marcam tanto. Fugindo do roteiro previsível que domina o Dia das Mães, a cineasta brasileira Fernanda Schein reuniu dez filmes que olham para a maternidade a partir de tensões, silêncios e escolhas difíceis.

O Dia das Mães costuma reforçar uma versão bem polida da maternidade, distante da experiência de muita gente e esse foi o ponto de partida de Fernanda: “A lista parte de uma ideia simples: fugir dessa visão confortável e publicitária para observar como o cinema tratou a maternidade ao longo do tempo, com ausências, conflitos e gestos extremos”, diz.

“Ao atravessar décadas e cinematografias distintas, os filmes mostram como a figura materna pode ser tanto um centro de afeto quanto um campo de tensão social, política e psicológica. A maternidade aparece menos como ideal e mais como experiência vivida, muitas vezes imperfeita, às vezes dolorosa, sempre complexa.”

Para Fernanda, assistir a esses filmes em maio também muda o tipo de conversa que se abre depois. “Em vez de apenas celebrar, a proposta é compreender, enxergar as múltiplas formas de ser mãe, de ter ou não ter uma mãe, e de como essas relações moldam identidades e destinos.”

Confira a lista:

1. Imitação da Vida (Imitation of Life, EUA, 1934, dir. John M. Stahl)
“Melodrama pioneiro sobre maternidade, raça e sacrifício. Ainda hoje impacta pela frontalidade emocional.”

2. Primavera Tardia (Late Spring, Japão, 1949, dir. Yasujirō Ozu)
“Ozu no auge: silêncio, rotina e o peso das expectativas familiares. A maternidade aparece pela ausência, e isso diz tudo.”

3. Umberto D. (Umberto D., Itália, 1952, dir. Vittorio De Sica)
“Não é sobre mãe diretamente, mas sobre cuidado e abandono. Um eco poderoso da função materna deslocada na sociedade.”

4. Mamma Roma (Mamma Roma, Itália, 1962, dir. Pier Paolo Pasolini)
“Anna Magnani entrega uma das grandes performances da história do cinema como uma mãe tentando escapar do próprio passado.”

5. Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelas (Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, Bélgica, 1975, dir. Chantal Akerman)
“Rotina doméstica como suspense. Um retrato radical da maternidade e do trabalho invisível.”

6. Pixote: A Lei do Mais Fraco (Pixote: A Lei do Mais Fraco, Brasil, 1980, dir. Hector Babenco)
“Aqui entra o Brasil, pela ausência brutal da mãe. O filme mostra crianças largadas à própria sorte, e como a falta dessa figura estrutura tudo. Um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro.”

7. A Maçã (The Apple, Irã, 1998, dir. Samira Makhmalbaf)
“Entre ficção e documentário. Um retrato perturbador de maternidade dentro de um ambiente de repressão.”

8. Mother: A Busca pela Verdade (Mother, Coreia do Sul, 2009, dir. Bong Joon-ho)
“Talvez um dos retratos mais intensos de amor materno obsessivo já filmados. Gênero mais estudo psicológico.”

9. Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, Reino Unido/EUA, 2011, dir. Lynne Ramsay)
“Um anti filme de Dia das Mães. Incômodo, frio e necessário.”

10. Pequena Mamãe (Petite Maman, França, 2021, dir. Céline Sciamma)
“O contraponto perfeito: delicado, quase mágico, sobre memória e conexão entre gerações.”

Saiba mais sobre Fernanda Schein:

Do interior do Rio Grande do Sul para Los Angeles, a cineasta e editora Fernanda Schein já atuou em diversos projetos importantes do cinema e da publicidade. Fez mestrado na New York Film Academy e com o tempo se consagrou tanto em projetos internacionais quanto nacionais, como “Neymar: O Caos Perfeito” (Netflix), o filme “Forbidden Wish” (Prime Video), “Poisoned” (Netflix) – ganhador do Emmy – e o documentário de sucesso “O Caso dos Irmãos Menéndez”, que estreou em outubro na Netflix e logo conquistou a atenção do mundo todo. Também, estrelou em produções independentes, como “The Boy in The Mirror”, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no California Women’s Film Festival.

Foi editora/montadora principal de projetos dirigidos por Rob Styles, como “A Social(Media) Construct” e “Sleeping Awake”. Brilhou com “I See You” e “Envenenados: O Perigo na Nossa Comida”, para a Netflix, o longa-metragem “Farewelling”, dirigido por Rodes Phire e o curta “Last Minute”, de Joel Junior.  

https://fernandaschein.com

www.instagram.com/feschein 

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