Aos 24 anos, o cantor e compositor curitibano PECI vem transformando os seus shows em Curitiba em em um ponto de encontro cheio de experiências coletivas marcadas pela entrega e grandes performances. Mas, agora esse ganhou um registro oficial: o DVD “AO VIVO E A CORES”, que reúne músicas inéditas e releituras que refletem a identidade do cantor.
Em entrevista exclusiva à Conexão Magazine, PECI fala sobre a construção dessa atmosfera nos shows, sua relação mais próxima com o carnaval, influências que atravessam seu trabalho e a importância da verdade e do encontro ao vivo em sua trajetória artística.
Confira a entrevista abaixo:
Conexão Magazine: “AO VIVO E A CORES” nasce da energia dos seus shows em Curitiba. Em que momento você percebeu que esse movimento era maior que apenas uma sequência de apresentações?
PECI: Eu comecei a perceber que esse movimento, os shows, ele começou a virar realmente um movimento não só uma sequência de apresentações, quando as pessoas começaram a voltar para assistir o show. Elas iam uma primeira vez, às vezes, né, tá no bar, elas não vão para ele, não iam para o show, em um primeiro momento iam para o bar para se divertir, se davam de cara com o show e elas chegavam para mim e falavam, cara, eu vou voltar, quero assistir você de novo e voltavam. E mais pessoas começaram a voltar, voltar e eu comecei a ver, caraca, a coisa está ficando séria. Me deu no que deu, DVD é o Vivo Viacores, tá para provar isso.
CM: Como foi pensar um repertório que representasse a sua trajetória até aqui para compor essas faixas do disco?
P: Ao mesmo tempo que foi muito difícil porque é muito difícil realmente pensar nesse repertório, a gente quis pensar no repertório inédito para trazer para as pessoas, também foi muito fácil porque é aquilo, a gente tem que se sentir bem antes de tudo, tem que ser verdadeiro com nós mesmos e com o que a gente está sentindo com o nosso coração, então naquele momento deixei a intuição falar. Quando a gente escolheu por exemplo de fazer a versão de “Ex Mai Love”, tem várias versões que eu faço no meu show, mas essa é realmente muito especial porque acho que ela aproxima o Brasil, porque é um sucesso da música pop que nasceu no norte, Gaby Amarantos e eu, um menino que nasceu em Curitiba, no sul e acho muito legal esse poder de aproximar e juntar o Brasil mesmo. Ainda mais com “Palpite”, que também é tema de novela, então essa versão, por exemplo, foi uma escolha muito especial. E as outras músicas também, como eu disse, né? Foi a minha intuição. Se a gente não sente verdade naquilo que a gente está falando, como é que o outro vai sentir? Então veio desse lugar.

CM: Você fala sobre transformar cada show em uma experiência coletiva e as músicas também trazem uma sonoridade carnavalesca. De onde vem essa relação tão forte com o carnaval?E qual seria um dos seus maiores sonhos na época festiva?
P: Falo que a minha relação com o carnaval vem da barriga da minha mãe, porque nasci em março e a minha mãe ia passar o carnaval em Salvador em 2002, ela não pôde ir porque estava grávida de mim e daí eu brinco que aquela vontade que ela tinha de ter ido para Salvador entrou, ficou em mim e eu nasci com esse amor por carnaval, por essa festa que eu sempre falo, também a loucura, a pegação, tudo que é o carnaval, a música, mas é o momento que a gente tem de descontrair, se preocupar em ser feliz, mais nada. E meu maior sonho do carnaval é cantar num trio com a Ivete em Salvador, não é só o meu maior sonho do carnaval, é um dos meus maiores sonhos da vida, e esse com certeza. Nossa, tá lá, na prateleira dos maiores sonhos, é isso aí, Ivete, Trio, Salvador.
CM: Em “Amar Às Vezes Dói”, você traz “The Winner Takes It All”, do ABBA, em uma sonoridade brasileira. O que te atraiu em revisitar o clássico e reinventá-lo dentro do seu universo?
P: Comecei a gostar de música por causa do Abba, entre outras bandas e outros artistas, mas um dos primeiros grupos que eu escutei, uma das primeiras músicas que eu escutei foi “Dancing Queen” do Abba, um dos primeiros filmes que me encantou e que me fez despertar essa vontade pela música foi “Mamma Mia”. E essa música, o “The Winner Takes It All”, tem uma um apelo emocional muito grande. Até no Mamma Mia tem aquela cena que a Meryl Streep tá lá na pedra e tem uma teatralidade na música. E um dia escutando assim, eu adoro fazer isso, de pensar em versões brasileiras, que acho que é uma coisa muito Brasil. A versão brasileira é muito Brasil. E um dia escutando a música, pensando na música, no que a música queria dizer e pensando até mesmo na cena da Meryl Streep do filme e daí fiz assim o começo e ela tinha uma coisa meio sertaneja que eu adoro, sou apaixonado, nasci no Paraná, como não ser apaixonado por música sertaneja, e sabe essa toda coisa romântica. E daí a gente foi desenvolvendo e ela foi uma música demorada pra fazer. Mas quando a gente fez ela ficou pronta, ela tem esse apelo romântico e teatral, latino, exagerado. E, poxa, se tem isso, eu tenho que fazer, não tinha, não teve escolha, falou mais alto.

CM: Mesmo sendo um artista independente, você construiu uma cena própria, com público fiel e casas cheias em Curitiba. O que você acredita que conecta as pessoas ao seu trabalho?
P: Quando a gente não tem verdade naquilo que a gente faz, não tem como o outro se identificar. O que mais faz o outro se identificar comigo, e principalmente falando do ao vivo e a cores, que foi gravado ao vivo, e principalmente eu falo isso por causa dos shows, porque é no show, é no ao vivo que eu sou mais eu, que sou mais verdadeiro, sabe, que a minha essência fala mais alto, porque no ao vivo é aquela loucura, aquela adrenalina, do errar errou, sabe, é o cru, é o humano, é o orgânico. Então trago muita verdade nisso que faço, e o ao vivo é para mim uma escola até para levar para dentro do estúdio trazer essa verdade e essa essência, esse humano. O ao vivo me solta. E acho que é uma coisa que eu levo pra minha vida toda. Quando a gente é a nossa maior força, nossa maior coragem, nossa maior virtude é sermos nós mesmos. E é isso que levo pra minha vida e é algo que eu busco entregar pros meus fãs, pras pessoas que escutam.
CM: “AO VIVO E A CORES” chega como uma celebração desses encontros. O que você espera que quem ainda não conhece o PECI sinta ao ouvir esse DVD pela primeira vez?
P: As pessoas vão sentir essa verdade, esse lado humano, essa coragem da gente ser e de celebrar quem a gente é, e isso numa dose extremamente exagerada, sempre.
Ouça o DVD abaixo:









































