Em um momento em que a maternidade é cada vez mais exposta e, muitas vezes, idealizada nas redes sociais, cresce também o movimento oposto: encontros intimistas, sem filtros, onde mães podem falar com honestidade sobre suas vivências.
Foi com essa proposta que nasceu o “Entre Nós”, primeiro evento organizado pelo Podcast A Mãe da Off, realizado no último sábado (2), em São Paulo. Fechado para apenas 25 mulheres, todas mães, o encontro apostou em uma experiência mais próxima, quase confidencial, um contraste direto com a lógica pública e performática do digital.
Mais do que palestras, o evento foi estruturado como uma sequência de conversas que atravessaram diferentes camadas da maternidade. Da origem dos vínculos, no talk “Onde Tudo Começa”, com a terapeuta de casais Denise Figueiredo, até questões práticas que impactam o futuro das famílias, como planejamento de vida e financeiro, abordado por Maria Augusta Furlanetto, Life Planner, em “Não Fique Off Mamãe”.
Mas o tom do encontro não ficou apenas no campo técnico. Houve espaço para discutir identidade e autoestima, como no talk “Sua Imagem Conta a Sua História”, com a consultora Caroline Kallidis, e também para mergulhos mais emocionais e menos romantizados da maternidade, como no relato de Fernanda Guilhem em “De Repente Eu Era a Mãe Mais Feliz e a Mulher Mais Triste”.
Costurando todas essas falas, a host e idealizadora do evento, Paola Guaraná, também criadora do podcast A Mãe da Off, trouxe provocações e reflexões que conectavam os temas à realidade cotidiana das participantes. “A ideia do evento foi para que as mães pudessem ter, de fato, um tempo só para elas. A gente tentou reunir o máximo de experiências possíveis nas quatro horas, desde socializar, comer uma pizza quente, tomar um vinho, até aprender coisas práticas e discutir temas mais leves”, explica. A proposta não era oferecer respostas prontas, mas abrir espaço para identificação e troca.
E talvez esse tenha sido o ponto central do encontro: o tempo para conversar.
Sem filhos por perto, as participantes puderam se permitir algo raro na rotina materna: estar entre iguais, com leveza. Entre uma fala e outra, houve comida, bebida, risadas e conversas espontâneas que, muitas vezes, se mostraram tão potentes quanto os próprios talks.
Para a idealizadora, o impacto do evento também passou pela experiência pessoal. “Eu sou mãe, então eu sou parte daquilo. Para mim foi uma delícia estar ali, conversar, rir, me divertir, sem me preocupar com nada além da minha própria diversão. Foi muito melhor do que eu imaginava. Tenho certeza de que todo mundo saiu dali mais feliz e mais reflexivo do que chegou”, afirma.
O encerramento traduziu bem esse espírito. Em uma atividade de pintura de taças, cada participante levou para casa não apenas um objeto personalizado, mas também a experiência de ter feito algo com as próprias mãos, um gesto simples, mas simbólico, em meio à sobrecarga cotidiana.
O “Entre Nós” também dialoga com uma narrativa que vem ganhando espaço: a desconstrução da ideia de mãe perfeita. Tema, aliás, presente no livro de Paola Guaraná, “Eu era uma mãe perfeita até me tornar uma”, que aparece como uma extensão natural das conversas propostas no evento e surge como uma sugestão pertinente para o Dia das Mães, especialmente para quem busca uma leitura mais honesta e menos idealizada sobre o tema.
Mais do que um evento pontual, o “Entre Nós” aponta para uma tendência: a necessidade crescente de espaços seguros, menores e mais verdadeiros para discutir a maternidade.
A proposta, inclusive, deve ganhar novos capítulos. “A ideia é levar esse evento para o maior número de mães possível, ouvintes do podcast, seguidoras, comunidade. Que mais mulheres possam viver esse tempo off, que é justamente a essência do projeto A Mãe da Off”, diz Paola.




































