Estampando a nova capa digital da Conexão Magazine, a multiartista e showrunner Alexia Annes personifica a força do audiovisual independente brasileiro. À frente de Sukata O Musical – A Série – produção infanto-juvenil de 10 episódios que acaba de estrear no streaming global (Prime Video, Apple TV, Vivo Play, Claro TV+ e Google TV) -, Alexia celebra o ápice de um ecossistema cultural iniciado em 2012 nos palcos do teatro e consolidado em livro em 2019. Lançado até mesmo com distribuição musical pela ONErpm, o projeto retrata a periferia paulistana com humor, trilha autoral e uma potente mensagem socioambiental.
Além de assinar a criação, o roteiro e a direção, Alexia também atua na pele da personagem Rita e comanda uma equipe que prioriza a representatividade de mulheres e jovens periféricos tanto na frente quanto atrás das câmeras. Essa liderança de impacto e a trajetória de resiliência renderam ao projeto um sólido reconhecimento internacional, acumulando prêmios como o Hollywood Series Awards, indicações de Acessibilidade no Rio Webfest e participação no prestigiado Series Mania Forum, na França, além do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios para a diretora.
Em entrevista exclusiva à Conexão Magazine, Alexia Annes detalha os desafios de amadurecer a história ao longo de 14 anos, reflete sobre o papel da música na conscientização sobre a emergência climática e analisa como o contraste entre a futilidade das redes digitais e a união comunitária dá o tom dessa obra transformadora. Confira o papo na íntegra!
Alexia, Sukata O Musical nasceu nos palcos em 2013, virou livro em 2019 e agora chega como série no streaming global. Como foi adaptar essa história ao longo de 14 anos sem perder a essência da periferia e a urgência do tema socioambiental?
Mais que uma adaptação a série teve um processo investigativo na profundidade de cada um dos personagens, e traz também os novos. Agora a série representa um outro momento da história, trazendo os outros personagens que permeiam o Universo do Sukata, e os conflitos do dia a dia. A série fala com crianças e também adolescentes.

A série contrapõe a alienação das “Blogueirinhas” com o ativismo ecológico e a realidade das “Suketes”. Como você trabalhou esses dois mundos tão opostos para criar um conflito divertido, mas sem cair no clichê?
Existe um universo do exagero que aparece nas cores e tons de atuação dos personagens. Tem uma pitada de Brecht para lembrar que aquilo não é realidade. Em contraponto, existem momentos muito marcantes e de conexão profunda que aparecem principalmente na dor, que é onde nos encontramos, desarmados e nos restando apenas ser o que realmente somos.
A virada na trama acontece quando um vídeo gravado acidentalmente viraliza na internet. Na sua visão, qual é a linha que separa a internet usada para a futilidade da internet como ferramenta de transformação social real?
A internet usada como ferramenta de conhecimento e transformação, é exatamente a diferença do uso de forma banal onde as pessoas passam horas rolando o feed e não aprenderam nada. As Suketes usam a internet para mostrar a realidade da periferia e seus problemas sem máscaras ou filtros. Falam suas dores através da música e isso toca o público. A verdade prende a atenção das pessoas.
Além de criar e dirigir, você também atua como Rita e lidera uma produção que destaca mulheres e jovens periféricos. Qual é a importância de colocar essa representatividade tanto na frente quanto atrás das câmeras no audiovisual brasileiro?
Acredito que todos podem contar qualquer história ou temática, mas quando você vivencia aquelas histórias, quando você é mulher, sabe como ninguém suas dores e alegrias, o roteiro se torna algo muito mais verdadeiro. É sobre coisas que você viu e vivenciou. Tem muita verdade, e isso reflete no resultado real. Eu, como mulher que sempre busquei meu espaço e chances, ver essa série novos streaming e as canções é uma realização. É um presente a todas as mulheres que chegaram aqui comigo.

Com 10 episódios e trilha autoral que vai do funk às baladas (distribuída pela ONErpm), como a música ajudou a traduzir temas complexos, como desperdício de alimentos e enchentes, para o público infanto-juvenil?
Através da música a mensagem chega com mais facilidade para o público. Afinal, é desafiador falar de sustentabilidade e reciclagem.
O projeto conquistou prêmios internacionais, como o Hollywood Series Awards, indicações no Rio Webfest e participação no Series Mania na França. O que esse reconhecimento global diz sobre a força das histórias periféricas e independentes do Brasil?
Precisamos de investimento para continuar, temos condições e conteúdos para internacionalizar a nossa arte.
Após a tragédia da enchente na história, a comunidade se une para fundar a ONG SUKATA. Que mensagem principal você espera que a Geração Z e Alpha levem ao assistir à reconstrução das garotas no streaming?
Que tudo é possível, com muito trabalho, estudo e dedicação. A arte move o mundo e é uma linguagem Universal. Nós Mulheres podemos e devemos nos unir, os homens já fazem isso a muito tempo.
































