Por quase quatro meses, Gabriela Kulaif não conseguiu dormir uma noite inteira. Os fogachos, como são chamadas as ondas de calor, interrompiam o descanso e deixavam pouco espaço para lidar com a maternidade, o trabalho e as tarefas do dia a dia. Em entrevista, a atriz e produtora brasileira conta sobre a experiência com a pré-menopausa e os efeitos que sentiu no corpo e no estado emocional.
“Virei um zumbi humano, sem condições de fazer nada, operando com 10% só. Até depressão deu, que eu nunca tive. Chorava de exaustão, me irritava. Imagina você não dormir uma noite inteira em quatro meses”, relata.
Antes das noites mal dormidas, as falhas de memória já haviam chamado sua atenção. Gabriela começou a ter brancos e a desconfiar da própria capacidade de lembrar das coisas, sem imaginar o quanto os sintomas seguintes afetariam sua rotina.
“Eu percebi que estava na pré-menopausa quando minha memória ficou muito fraca. Comecei a ter branco total e não confiar mais na minha própria memória. Até então, achei que ia sobreviver, mas aí vieram os fogachos…”
“Foi a salvação”
A busca por ajuda médica e o início da reposição hormonal trouxeram alívio. Gabriela conta que o tratamento levou cerca de um mês para fazer efeito e que houve um ajuste de dose após esse período.
“Foi a salvação. Os hormônios levaram um mês para fazer efeito. Tive que aumentar a dose depois do primeiro mês e, em poucos dias, os calorões já abaixaram muito. Hoje, tenho um ou dois no dia e são menos intensos, então não me incomodam.”
O apoio da família também fez diferença, embora nem sempre tenha encontrado a mesma abertura fora de casa. “Senti que algumas pessoas no meu círculo mais distante não se sentiam à vontade quando eu dizia o que estava acontecendo. Graças a Deus, recebi muito apoio da minha família.”
Ainda na pré-menopausa, Gabriela evita antecipar como serão as próximas etapas. Por enquanto, identifica a privação de sono como a maior dificuldade e percebe a necessidade de dedicar mais atenção a si.
“Honestamente, até agora, o pior foi não dormir por causa dos calorões. De resto, estou conseguindo manejar. Mas sinto, sim, que daqui em diante meu corpo e minha mente pedem uma mudança de hábitos e uma vida mais focada em me cuidar.”
Libido e diálogo no casamento
Ao falar sobre intimidade, Gabriela conta que a queda da libido já fazia parte de sua experiência depois da maternidade e que esse período se seguiu à chegada da pré-menopausa. A conversa com o marido tem sido uma forma de lidar com as mudanças.
“Eu converso abertamente com o meu marido, e ele é muito amoroso e compreensivo. Sinto que, com o tempo e a maturidade, estamos cada vez mais maduros para a realidade do que é um casal que decide passar a vida juntos. Somos felizes dentro de todas as dificuldades que a vida traz.”
Também ficou mais seletiva sobre onde gastar tempo e energia. Passou a viajar sozinha com mais frequência e, no cotidiano, busca preservar seus momentos de yoga, respiração e exercício.
A informação que fez falta
Quando pensa no início dessa fase, Gabriela diz que gostaria de ter recebido mais informações para entender o que estava acontecendo. Ao compartilhar sua experiência, quer ajudar a ampliar essa conversa.
“Gostaria de ter tido mais informações de médicos e no geral. A maioria das mulheres começa a ter vários sintomas e não tem noção do que está acontecendo até mais tarde, quando os sintomas ficam insuportáveis. Por isso, a importância de estarmos falando mais e mais do assunto.”




































