Natural de Goiás, a atriz Letícia Augustin, que estampa a nova capa digital da Conexão Magazine, vive atualmente um daqueles momentos em que tudo parece se encaixar ao mesmo tempo. Nas telonas, é um dos destaques do filme espírita “Sexo e Destino”, longa-metragem recém-lançado dia 21 de maio nos cinemas de todo o país. Nos palcos, divide a cena com o consagrado Luiz Fernando Guimarães em “Curto-Circuito”, espetáculo que celebra a trajetória do ator e que já acumula diversas sessões com casa cheia no teatro do Copacabana Palace.
A peça segue em cartaz até 31 de maio no Teatro Renaissance, em São Paulo, e transita com leveza e inteligência entre o riso e a reflexão tocando em temas tão contemporâneos quanto a ansiedade e o desgaste emocional que marcam o ritmo acelerado dos nossos tempos.
Em “Curto-Circuito”, Letícia interpreta a amígdala cerebral do personagem principal, encarnando emoções, impulsos e conflitos internos com a intensidade e a sensibilidade que já se tornaram marcas registradas de suas interpretações. É o tipo de papel que exige tanto do corpo quanto da alma e ela entrega com generosidade. Além do palco e das telas, a atriz também acumula experiência na televisão, com uma participação na novela “Família é tudo”, ampliando cada vez mais seu repertório e consolidando seu nome no cinema e teatro.
Nesta entrevista, Letícia conta sobre o processo de preparação para sua personagem no espetáculo “Curto-Circuito”, relação com a espiritualidade e religião e os desejos que guiam a sua carreira.
Conexão Magazine: Como foi receber o convite do Luiz Fernando Guimarães para integrar o espetáculo “Curto-Circuito”, justamente em um momento tão importante da trajetória dele? E como aconteceu o processo de preparação para a peça?
Letícia Augustin: Receber esse convite foi muito especial para mim. O Luiz Fernando é um artista que sempre admirei profundamente, não só pelo talento e pela trajetória brilhante, mas também pela sensibilidade humana que ele carrega em tudo o que faz. Fazer parte de um projeto tão importante nesse momento da comemoração de 50 anos da carreira dele tem um significado enorme. O processo de preparação foi muito intenso e generoso ao mesmo tempo. A peça exige verdade emocional, então houve uma entrega muito profunda de todos nós. Tivemos um trabalho cuidadoso de construção dos personagens, de escuta, de entendimento sobre as dores contemporâneas que o texto aborda. Foi um processo muito vivo, muito humano.

CM: “Curto-Circuito” aborda questões muito presentes na vida contemporânea, como ansiedade, autocobrança e saúde mental. Como você se preparou emocionalmente e artisticamente para interpretar esses temas no palco?
L: Acho que o primeiro passo foi reconhecer que esses temas atravessam todos nós de alguma maneira. Não existe distância entre o ator e o assunto quando falamos de ansiedade, excesso de cobrança ou saúde mental. Então a preparação passou muito por um lugar de honestidade comigo mesma. Artisticamente, procurei entender as nuances emocionais da personagem sem caricaturar a dor. E emocionalmente, tentei encontrar equilíbrio para mergulhar nessas questões sem me perder nelas. A arte tem essa potência de transformar vulnerabilidade em conexão, e acho que o público sente isso durante o espetáculo.

CM: Se pudesse ter uma conversa com a sua própria “amígdala cerebral”, o que você diria a ela hoje?
L: Eu diria: “Obrigada por suportar todos meus transtornos e complicações que crio o tempo todo, sei que me aguentar não é uma missão fácil.” kkk Acho que a gente vive em estado de alerta constante, e às vezes esquecemos de respirar, de confiar, de simplesmente viver o presente. Hoje eu tento me relacionar com mais gentileza comigo mesma, entendendo que desacelerar também é uma forma de força.
CM: Existe alguma cena ou momento do espetáculo que costuma mexer mais com você emocionalmente?
L: Sim. Existem cenas em que o silêncio fala mais do que o texto, e isso sempre me atravessa muito. Acho que os momentos em que a personagem se vê diante das próprias fragilidades acabam me tocando profundamente, porque existe uma identificação humana ali. E é curioso perceber como o público também reage nesses momentos. Você sente a respiração da plateia mudar. É muito forte.

CM: A primeira temporada de “Curto-Circuito” teve ingressos esgotados no Rio de Janeiro. Como foi perceber essa conexão tão imediata do público com a peça? Você já esperava essa repercussão?
L: Foi emocionante. A gente sabe que o Luiz sempre lota as salas de teatro pelo seu carisma e humor, mas trazer um tema que nos retrata mentalmente de forma leve e engraçada é um pouco mais delicado. Ver o teatro lotado e perceber o quanto o público se identifica com aquelas questões foi muito impactante. Acho que “Curto-Circuito” toca em dores silenciosas da nossa geração. As pessoas querem se sentir vistas, compreendidas, acolhidas. E quando a arte consegue criar esse espaço de identificação, se cria muitas conexões.
CM: Você vive um outro momento importante no cinema, estrelando o filme “Sexo e Destino” ao lado de Bruno Gissoni. Como foi interpretar uma personagem tão intensa em uma adaptação de uma obra psicografada por Francisco Cândido Xavier? E qual é a sua relação pessoal com a espiritualidade e a religião?
L: Foi um trabalho muito desafiador e transformador. Interpretar uma personagem dentro de um universo tão denso emocional e espiritualmente exigiu muita entrega e responsabilidade. Existe uma profundidade humana muito grande nessa obra, e isso mexe com a gente inevitavelmente. Sobre espiritualidade, eu acredito muito mais em conexão do que em rótulos. Tenho respeito por diferentes crenças e busco constantemente um olhar mais consciente sobre a vida, sobre energia, propósito e evolução humana. Eu acredito muito no plano espiritual e que o universo é muito vasto então hoje não gosto de me rotular, apenas me designo como uma buscadora espiritualista.

CM: Existe um projeto audiovisual internacional em andamento. Você pode adiantar algo sobre esse trabalho? E quais são os próximos passos da sua carreira após essa temporada no teatro?
L: Ainda não posso revelar muitos detalhes, mas é um projeto muito especial e desafiador, que tem me levado para lugares artísticos que sempre sonhei explorar. Estou muito feliz com esse momento de expansão e de novas possibilidades. Depois dessa temporada, quero continuar transitando entre teatro, cinema e audiovisual, buscando personagens que me provoquem emocionalmente e artisticamente. Tenho vontade de construir uma trajetória cada vez mais plural, com projetos que tenham verdade, potência e significado.









































