O ator Lucas Tors faz a sua grande estreia no mercado cinematográfico assumindo seu primeiro protagonista no longa-metragem “DAVI – Até o Limite de um Adolescente”. Disponível a partir do dia 04 de setembro em grandes plataformas de streaming como Prime Video, Claro TV, Apple TV e Box Brazil, o drama marca o início da trajetória do artista no cinema nacional em uma atuação desafiadora. Produzido pela Cara Lavada e dirigido por Rayssa de Castro, o filme coloca o jovem ator no centro de uma história profunda sobre bullying, as dores, a invisibilidade e as pressões vivenciadas pela juventude contemporânea.
Na trama, Lucas Tors dá vida a Davi, um garoto de 16 anos cuja rotina é sufocada por sucessivas camadas de violência e abandono. Na escola, o personagem é vítima constante de bullying severo. Em casa, lida com o ambiente familiar destruído pelo vício da mãe em drogas e álcool logo após a morte da irmã caçula. A condução do ator ganha uma complexidade técnica ainda maior pelo fato de o personagem não pronunciar nenhuma palavra ao longo do filme, exigindo de Lucas uma interpretação pautada na expressão corporal, no olhar e no silêncio, enquanto a história é guiada por sua voz em uma narração em off.
Recomeço após um golpe
A entrada de Lucas no projeto carrega uma história de persistência que começou nos bastidores. A produção do filme quase foi interrompida devido a um golpe financeiro sofrido por toda a equipe no início do processo, quando o dono de uma produtora onde faziam curso desapareceu com os recursos pagos pelos alunos. Diante do abandono, a diretora Rayssa de Castro decidiu levar a ideia adiante de forma independente. A escolha por Lucas para o papel principal nasceu da convivência em sala de aula e da percepção do talento do ator durante exercícios práticos de interpretação.
“Já nas aulas da produtora, a diretora Rayssa me elogiava e me dava destaque, me usava como exemplo em alguns exercícios de atuação e assim fomos criando vínculo, tanto profissional quanto pessoal, de amizade. Quando criou-se a ideia de fazer um projeto sobre escola pública, envolvendo um ataque, a diretora logo pensou em mim para o aluno problemático porque nos exercícios de improviso eu tendia a interpretar uma pessoa descontrolada”, relata o ator Lucas Tors.
O personagem
Construir a carga dramática de Davi exigiu que o protagonista mergulhasse nas dores e nos sentimentos de culpa que consomem o garoto. Lucas Tors detalha como enxerga a estrutura psicológica do seu personagem e o dilema interno que o move durante toda a narrativa.
“Davi é o fio condutor dessa história. É um adolescente de 16 anos que vive um grande dilema: superar o luto de sua irmã caçula, no qual se culpa pela morte dela, e cuidar da mãe que voltou para as drogas após a morte de sua filha. Em todos os aspectos Davi se culpa, pois nem na escola tem paz. Não tem amigos, sofre bullying constantemente e é apaixonado por Carlinha, que o odeia. O filme todo se passa através de sua narrativa em off, tanto que Davi não tem nenhuma fala durante todo o filme”, explica Lucas.

A construção do universo sonoro do longa-metragem foi pensada justamente para valorizar e amplificar a atuação silenciosa do protagonista. A sonoplastia funciona como um espelho da mente sufocada de Davi: o eco agressivo dos corredores escolares, a opressão dos barulhos do ambiente doméstico e a nitidez da narração em off do ator criam uma atmosfera que envolve o espectador no isolamento do garoto. Esse desenho de som contínuo traduz o acúmulo de perdas do personagem de Lucas Tors, tornando audível o sofrimento que ele guarda para si.
A ideia do filme nasceu da reflexão da diretora sobre tragédias reais em instituições de ensino no Brasil, como o Massacre de Realengo em 2011. Ao redor do protagonista, o longa reúne nomes conhecidos da televisão e da música para compor a comunidade escolar: Sidney Sampaio vive um professor de Educação Física, Sergio Hondjakoffinterpreta o pai de uma aluna autista e Tota MC faz o estudante responsável pelas agressões e bullying contra Davi. O alívio cômico da narrativa fica por conta da atriz Mapi Cravo no papel da vice-diretora, trazendo o lado caricato da rotina escolar enquanto tenta mostrar serviço a todo custo.
Tratando de pautas urgentes como racismo, gravidez na adolescência, violência doméstica e drogadição no ensino público, a obra busca sensibilizar os adultos sobre a importância da escuta atenta aos sinais dados pelos jovens. “Com o crescimento absurdo dos ataques nas escolas, Davi traz a importância de ouvir os jovens, ter um olhar mais sensibilizado para as dores que o bullying causa, reconhecer que nem tudo é bobagem de adolescente e que sim, crianças têm todo o direito de sofrer. Em momento algum o filme busca explicar ou dar razão para um ataque, longe disso. Pelo contrário, a obra traz o ponto de vista de todos os envolvidos na história, inclusive aos que praticam o bullying contra ele”, destaca o artista.

Guardando um significado especial por representar seu marco inicial no Rio de Janeiro e na indústria do cinema, o trabalho como protagonista em “DAVI – Até o Limite de um Adolescente” consolida um importante passo da carreira de Lucas, que agora celebra o alcance de sua estreia junto ao público.
“Foi meu primeiro filme, primeiro trabalho no mercado e ainda como protagonista. Davi tem um lugar muito especial no meu coração e na minha memória. Foi o começo de tudo, tanto na minha vivência no Rio de Janeiro quanto dentro de um set de filmagem. É um projeto que reúne todo nosso esforço em tentar contar uma história atual e urgente, mostrando o nosso propósito como artistas. A expectativa é das melhores, esperamos que quem assista sinta o propósito da história, repense sobre a importância de falar sobre saúde mental e que o filme possa alcançar lugares ainda maiores no mercado”, finaliza Lucas Tors.




































