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Com texto e direção de Juliana Fernandes, espetáculo “Sala de Espera” estreia no Teatro Cândido Mendes, no Rio de Janeiro 

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Redação CM

4 de maio de 2026

Foto: Divulgação

Em um cenário onde o tempo parece estagnado, sete mulheres partilham o vazio de uma sala de espera. Elas não sabem o que aguardam, nem quando a porta se abrirá. O que as mantém ali é apenas a expectativa de um sinal: um som, uma luz no painel, uma ordem que venha de fora. Com texto e direção de Juliana Fernandes, o espetáculo “Sala de Espera” estreia em curta temporada no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, no Rio de Janeiro, para investigar o limite entre a passividade e o movimento, confrontando o público com a pergunta: o que nos paralisa?

A dramaturgia de Juliana nasceu de uma provocação sobre o processo do aguardo. Para a diretora, a espera é uma experiência universal que atravessa o cotidiano em diversas camadas. Se por um lado existe a espera concreta – a fila, o consultório, o resultado de um exame -, por outro, há uma espera subjetiva e silenciosa, como esperar o momento certo para agir, ou a clareza absoluta para se decidir, como também a libertação da validação do outro. O espetáculo, contudo, não foca no objeto esperado, mas no que ocorre com o sujeito durante o intervalo.

“O que eu gostaria de propor é um mergulho nesse lugar de suspensão. O que nos mantém esperando? O que nos impede de agir? Desejo gerar uma reflexão e uma provocação desse lugar de incômodo”, pontua Juliana.

Um corpo coletivo em suspensão

A escolha de um elenco exclusivamente feminino, formado por Bia Laviche, Debora Nunes, Mila D’Assumpção, Nara Viana, Rubi, Taís Zavareze e Thàys Rangél, foi uma decisão sensível para potencializar a escuta e a tensão em cena. “A presença dessas sete mulheres potencializa a ideia de coletivo. São diferentes trajetórias, formas de lidar com o tempo e com a incerteza, com a inquietude.  Mais do que representar um gênero, o elenco constrói um corpo conjunto que sustenta, tensiona e transforma a experiência de espera ao longo do Espetáculo”, explica a direto.

Ela ainda completa: Ter essas atrizes dando vida a essas personagens é uma das partes mais interessantes porque esse processo não trabalha com personagens fechadas, mas com estados e são elas que dão densidade, nuance e verdade pra esse lugar de suspensão. E esse processo não parte de um resultado rígido, ele vai se construindo nos encontros com as atrizes e o material que vou levando”, explica a diretora. 

Mais do que buscar a aprovação imediata ou um entretenimento leve, “Sala de Espera” deseja o atravessamento. A expectativa da diretora é que a obra funcione como um espelho das esperas particulares de quem assiste, provocando perguntas que permanecem após o apagar das luzes. “Não espero necessariamente uma resposta ‘positiva’, mas sobre provocar algo real em quem assiste. Mais do que agradar, desejo identificação. Se de alguma forma saírem pensando sobre as próprias esperas, então para mim o espetáculo já cumpriu o seu papel”, finaliza Juliana.

Serviço: “Sala de Espera”
Datas
: 10 e 17 de maio (Domingos)
Horário: às 20h
Local: Teatro Cândido Mendes
Endereço: Rua Joana Angelica 63 – Ipanema – Rio de Janeiro
Lotação da sala 01: 102 lugares (não é lugar marcado)
Duração: 60 min
Classificação etária: 14 anos
Gênero: Drama
Ingressoshttps://bileto.sympla.com.br/event/120260/d/383892
Não é permitida a entrada após o inicio do espetáculo

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