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Da censura aos grimórios: por que conhecimentos de magia atravessaram os séculos?

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Redação SP

28 de setembro de 2026

Sacerdotisa Matildes

Durante séculos, livros de magia foram censurados, práticas foram perseguidas e conhecimentos ligados ao ocultismo passaram a ser associados ao medo e à transgressão. Para a sacerdotisa luciferiana e quimbandeira Matildes, olhar para essa história também significa questionar por que determinados conhecimentos foram tratados como perigosos e acabaram restritos a pequenos círculos.

A perseguição à magia na Europa não é apenas uma narrativa do imaginário popular. Entre os séculos XVI e XVIII, grimórios circularam sob censura e, em alguns casos, de forma clandestina. Tratados atribuídos a Salomão foram alvo de restrições durante a Contrarreforma, enquanto manuscritos continuaram sendo copiados e preservados à margem dos canais oficiais.

O período também foi marcado por perseguições relacionadas à bruxaria. Determinadas práticas mágicas passaram a ser enquadradas dentro de uma visão demonológica que ajudou a impulsionar processos em diferentes regiões da Europa.

Mesmo diante desse cenário, parte desses conhecimentos atravessou os séculos. A tradição da Goetia é um exemplo. A chamada Ars Goetia, primeiro livro da Lesser Key of Solomon (Lemegeton), reúne 72 espíritos, apresentados nos grimórios com nomes, hierarquias, características e atribuições específicas.

Imagem: Divulgação / Sacerdotisa Matildes

Entre eles está Bune, tradicionalmente descrito como um Duque e associado à riqueza e à eloquência. Para Matildes, a permanência dessas referências mostra como conceitos ligados à prosperidade e ao poder foram preservados dentro de tradições que sobreviveram apesar da censura.

“Quando falamos de prosperidade, não precisamos limitar o assunto ao dinheiro. Existe também a capacidade de romper padrões, desenvolver consciência e perceber possibilidades que antes não eram enxergadas”, explica a sacerdotisa.

Para Matildes, o interesse atual pelo ocultismo também passa pela forma como esses conhecimentos foram apresentados ao longo da história. O que em uma tradição podia representar conhecimento, poder, proteção ou prosperidade, em outros contextos foi enquadrado pela ideia de ameaça ou demonização.

Na visão da sacerdotisa, esse legado também está relacionado à autonomia. Questionar os limites recebidos e desenvolver consciência sobre as próprias escolhas permite enxergar possibilidades além dos padrões estabelecidos.

“Uma pessoa desconectada do próprio poder fica muito mais fácil de controlar e de manter presa aos mesmos padrões. O conhecimento começa justamente quando você passa a questionar aquilo que sempre disseram que não deveria ser questionado”, afirma.

Para Matildes, revisitar essa história não significa apenas recuperar práticas antigas, mas compreender por que determinados conhecimentos foram silenciados ou demonizados e por que continuam despertando interesse entre novas gerações.

Instagram: @sacerdotisamatildes

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