Depois de quase vinte anos dedicados ao reggae, a cantora, compositora, poetisa e produtora cultural Jamile Jah apresenta “Gostosa Sensação”, seu primeiro álbum de estúdio. O trabalho reúne dez faixas autorais e cinco videoclipes e chega às plataformas como a consolidação de uma trajetória iniciada em 2007. Segundo a artista, o projeto é o primeiro álbum de reggae gravado por uma mulher no estado do Piauí, ampliando a representatividade feminina dentro de uma das cenas mais tradicionais do gênero no Nordeste.
Mais do que um registro fonográfico, “Gostosa Sensação” reúne a identidade artística construída por Jamile ao longo de mais de duas décadas. O disco parte do reggae roots, mas incorpora elementos da música popular brasileira e da cultura nordestina para construir uma obra que dialoga com temas como ancestralidade, espiritualidade, resistência, amor, pertencimento e consciência coletiva.
As influências assumidas pela artista revelam essa pluralidade. O álbum conversa com nomes como Bob Marley, Jah9, Natiruts, Gilberto Gil, Vanessa da Mata e Alma Roots, traduzindo referências jamaicanas e brasileiras para uma linguagem própria, marcada pela força poética e pelo olhar sobre a realidade nordestina.
Produzido musicalmente por Nildo Viana, responsável por trabalhos da banda Alma Roots, o álbum conta ainda com produção executiva da própria Jamile Jah. A gravação reúne músicos como Lino Alencar, Fabiano Xavier, Ernandes Carvalho, Marcelo Campelo, João Filho e Alvino Alves, reforçando a construção coletiva que acompanha a artista desde os primeiros anos de carreira.
Entre os destaques do repertório está “Jah Jah Roots”, lançada anteriormente como single e agora incorporada oficialmente ao álbum. A faixa sintetiza boa parte da proposta artística do projeto ao aproximar a filosofia do reggae roots da vivência contemporânea no Nordeste brasileiro.
“Eu acredito que ‘Jah Jah Roots’ carrega uma força espiritual muito grande. A música fala sobre cultivar a nossa existência, manter a conexão com as nossas raízes e enxergar a paz como um ato de resistência. Espero que ela toque o coração das pessoas e seja um convite para manter os pés firmes no chão e a mente elevada.”
A própria artista define a composição como um manifesto de identidade.
“Jah Jah Roots é um hino de ancestralidade e conexão espiritual, que resgata a força das nossas origens para iluminar o presente. A canção traduz a filosofia do reggae de raiz para a realidade urbana do Nordeste, unindo resistência cultural e a música como ferramenta de cura social. É uma mensagem poética de paz, união e espiritualidade, embalada por um balanço pesado e autêntico, feita para tocar a alma e movimentar a mente do público.”
O videoclipe da faixa também reforça essa proposta. Gravado em Teresina, na casa de uma amiga da artista, Sol, o vídeo utiliza o quintal e os ambientes internos da residência como cenário para uma narrativa intimista, aproximando memória, afeto e ancestralidade em um espaço carregado de significado pessoal.
Além de “Jah Jah Roots”, o disco apresenta nove faixas que percorrem diferentes momentos da trajetória de Jamile. Entre elas está “Resistir”, única parceria do álbum, gravada ao lado de Bruno Wambier. A colaboração nasceu durante a pandemia, quando os dois passaram a se acompanhar em lives e desenvolveram uma identificação artística que evoluiu naturalmente para a composição.
O lançamento também representa um novo capítulo para uma artista que construiu sua carreira para além dos palcos. Desde 2017, Jamile atua como produtora cultural, assinando festivais, projetos independentes e iniciativas ligadas ao fortalecimento da cultura reggae no Piauí. Ao longo dessa caminhada, dividiu palco com nomes nacionais e internacionais, abriu apresentações de artistas como Jorge Vercillo, Cedric Myton e Triston Palmer, Eka-A -Mouse, Alborosie, além de participar de eventos que ajudaram a consolidar a cena reggae no estado.
Agora, com “Gostosa Sensação”, Jamile Jah transforma essa experiência acumulada em sua obra mais completa até aqui: um álbum que reafirma suas raízes, amplia sua projeção nacional e apresenta ao público um reggae brasileiro profundamente conectado à cultura nordestina, à espiritualidade e à força das histórias que moldaram sua trajetória.




































