Ao longo da carreira, Simone Centurione construiu uma trajetória marcada pela versatilidade. Entre o teatro, os musicais, a dublagem e o humor, acumulou experiências que ajudaram a desenvolver diferentes ferramentas de interpretação e a consolidar uma presença artística capaz de transitar por universos bastante distintos. Atualmente em cartaz no musical “Diana – A Princesa do Povo”, no Teatro Liberdade, em São Paulo, sob direção de Tadeu Aguiar, a atriz vive um dos desafios mais particulares de sua carreira ao interpretar a Rainha Elizabeth II, personagem que a levou a explorar caminhos pouco frequentes em sua trajetória. Acostumada a papéis mais expansivos e carregados de energia, Simone encontrou na monarca britânica a oportunidade de trabalhar a força da contenção e descobrir novas formas de comunicar emoções no palco.

Segundo a atriz, cada linguagem artística pela qual passou contribuiu de maneira diferente para sua formação. O teatro lhe ensinou presença, escuta e consciência corporal; a dublagem trouxe precisão e domínio da voz; já os musicais aprofundaram sua compreensão sobre como emoção, palavra e música podem atuar juntas na construção de uma narrativa. Para ela, todas essas experiências reforçaram uma percepção comum sobre o trabalho do intérprete: personagens não são definidos apenas pelo que dizem ou fazem, mas principalmente pela verdade que existe por trás de cada ação. Com o passar dos anos, Simone afirma ter entendido que atuar é também um exercício constante de observação humana, empatia, disciplina e coragem.
A força que existe no silêncio
Essa visão ganhou novas camadas com a Rainha Elizabeth. A atriz conta que foi justamente no silêncio da personagem que encontrou algo que ainda não havia explorado de forma tão profunda. Em vez de grandes demonstrações emocionais, a soberana exige uma atuação construída a partir dos detalhes, da postura, dos olhares e das pausas. “Foi justamente no silêncio que encontrei algo novo, algo que nunca tinha acessado de fato. A Rainha me ensinou o valor da contenção, do silêncio e da força que também existe, às vezes, em permanecer calada e firme em uma postura”, afirma.
Dentro da narrativa do musical, Simone acredita que a personagem conquista o público justamente por aquilo que escolhe não revelar. Ao longo da trama, a Rainha surge dividida entre o papel institucional que precisa desempenhar e os sentimentos humanos que inevitavelmente existem por trás da figura pública. Para a atriz, essa dualidade aproxima a personagem dos espectadores, já que todos, em algum momento da vida, precisam lidar com responsabilidades que exigem esconder fragilidades ou controlar emoções. “O público percebe que há emoções acontecendo mesmo quando ela tenta mantê-las sob controle. Acho que isso gera uma identificação muito interessante, porque todos nós, em algum momento da vida, já tivemos que esconder fragilidades para cumprir responsabilidades”, explica.

Mesmo após tantos anos de carreira, Simone afirma que o que continua despertando sua curiosidade artística são as pessoas. A observação do comportamento humano e das diferentes formas de sentir, reagir e enxergar o mundo segue sendo sua principal fonte de inspiração. Além disso, a artista vive um momento de retomada de outra paixão antiga: a composição. Embora tenha deixado muitas músicas e letras guardadas enquanto aprofundava sua trajetória nos palcos, ela pretende revisitar esse material e expandir sua atuação criativa para além da interpretação. Cinema, direção e novos projetos também fazem parte dos caminhos que deseja explorar nos próximos anos.
Ao refletir sobre a experiência de viver Elizabeth II, Simone destaca que encontrou muito mais do que uma figura histórica ou institucional. Por trás da Coroa, descobriu uma mulher atravessada por conflitos, escolhas difíceis e um profundo senso de responsabilidade. A personagem a fez pensar sobre dever, compromisso e sobre aquilo que escolhemos honrar ao longo da vida. “Eu vou levar um pouco dela comigo depois que as cortinas se fecharem. Eu me apaixonei pela Rainha. Por essa mulher que abriu mão de si mesma em prol de uma responsabilidade”, afirma. Para a atriz, o maior legado deixado pela personagem está justamente nessa capacidade de dedicar a própria vida a algo maior do que si mesma. “Para mim, não há demonstração maior de amor do que honrar algo que é maior do que nós mesmos.”




































