Como a relação entre mães e filhas muda quando os filhos crescem, constroem a própria carreira e deixam a casa dos pais? Essa é uma das questões que conduzem o quinto episódio de Na Palma da Mari: Entre Mulheres, que reúne a jornalista Fátima Bernardes, sua filha Bia Bonemer e a psicóloga Carolina Druck em uma conversa sobre maternidade, amizade, carreira, independência e expectativas. O episódio será exibido no YouTube na quinta-feira (17), às 20h, e na CNN Brasil no sábado (19), às 22h45.
Durante o episódio, Fátima Bernardes e Bia Bonemer também falam sobre a experiência de trabalharem juntas no videocast Cá Entre Nós. A jornalista conta que nunca imaginou dividir um projeto profissional com um dos filhos e que chegou a torcer para que nenhum deles seguisse carreira no jornalismo. “Está tudo muito novo para a gente. Eu nunca imaginei trabalhar com nenhum dos meus filhos. Na verdade, eu torci muito para que nenhum deles fosse seguir a carreira de jornalista, porque, tendo pai e mãe na área, eu sempre achei que seria muito pesado”, afirma. Segundo Fátima, a experiência tem sido mais de descoberta do que de idealização. “Ver a Bia trabalhando é uma coisa muito especial; estou mais no sentido de descoberta do que de idealização mesmo”.
Bia, por sua vez, destaca que a relação entre as duas ajuda a separar a figura pública da mãe. “O que me perguntam às vezes é: ‘Ah, mas você não se sente pressionada porque é a Fátima do seu lado?’. E eu sempre falo: ‘Gente, além de ser a Fátima, é a minha mãe que está ali’. Estamos lidando como se fosse algo que estamos aprendendo e construindo juntas”.
A transição para a vida adulta também é tema da conversa. Fátima fala sobre os diferentes momentos da maternidade e sobre o desafio de respeitar o espaço dos filhos conforme eles crescem. “A gente vai aprendendo a ser mãe de criança e acha que está bombando. Aí ela dormiu, acordou adolescente, e você tem que começar do zero, descer todos os degraus e começar de novo. Depois, entra na vida adulta. E você tem que voltar a entender que precisa respeitar muito aquele novo espaço”, disse.
Para a jornalista, ver os filhos independentes representa a conclusão de uma etapa importante. “Eu acho que a minha maior satisfação como mãe é ver que eu criei três pessoas que são capazes de estarem sozinhas no mundo, dando conta da vida delas. Isso me dá uma percepção de que a minha missão está cumprida. O resto é só prazer”, explica.
Bia conta que o processo de sair de casa acabou aproximando ainda mais mãe e filha. “Eu acho que ela só reparou que eu virei adulta depois que eu saí de casa”, brinca. Segundo ela, morar sozinha trouxe novas experiências e assuntos para compartilhar com a mãe. “O fato de ir morar sozinha acabou nos aproximando mais.” Fátima também avalia que a mudança pode ser positiva para a relação. “Acho que ir morar sozinha, para quem é mãe e está agoniada com esse momento que vai passar, pode ser muito bom para melhorar a relação como um todo”.
A psicóloga Carolina Druck explica que permitir a independência é uma etapa fundamental da relação entre mães e filhos. “A questão principal é permitir que o filho tenha a sua independência, a diferenciação entre mãe e filho”, ressalta. Segundo ela, especialmente na adolescência, o desejo de se diferenciar pode gerar conflitos quando os pais têm dificuldade em aceitar que os filhos sigam caminhos próprios.
O episódio também aborda a influência das referências femininas na construção das escolhas profissionais e pessoais. Bia afirma que cresceu vendo a mãe conciliar maternidade e carreira e que essa experiência influenciou sua própria visão de futuro. “Desde que me entendo por gente, tenho na minha cabeça que vou ter uma profissão. Mesmo se eu for ter uma família, vou querer continuar tendo a minha vida e as minhas ambições, tanto profissionais quanto pessoais, para ser independente.”
Fátima lembra que também foi criada com a ideia de que a independência deveria ser uma prioridade. “Meus pais sempre me disseram: ‘Primeiro você tem que se formar e ser independente, não pensar em casar’. Eles me criaram com essa visão. Eu não precisava tirar um copo da mesa, só estudar para que eu fosse independente financeiramente”.
Outro ponto da conversa é a importância de permitir que os filhos errem. Fátima conta que, ao longo da maternidade, aprendeu que compartilhar as próprias dificuldades pode ser mais importante do que apresentar apenas histórias de superação. “Eu aprendi ao longo da maternidade que mostrar os seus erros é tão bom quanto mostrar o que deu certo”, afirma. Bia concorda e reforça que a experiência própria é parte fundamental do amadurecimento. “Eu falei para ela que eu precisava errar também. Eu precisava ter experiências e errar para aprender com os meus próprios erros”.
Carolina Druck complementa que, na vida adulta, cabe aos pais confiar no que foi construído ao longo da criação e permitir que os filhos façam suas próprias escolhas. “Na vida adulta, no momento em que o filho toma uma decisão, a gente não sabe qual vai ser o resultado. Às vezes tem que deixar o filho experimentar, quebrar a cara, ter experiências que vão ser necessárias para crescer, e confiar naquilo que foi construído até aquele momento”, explica. Para a psicóloga, essa etapa envolve “confiar em si e confiar nesse filho”.






























