Em Não Procure Seu Ex, Procure Seu Eu, o psicanalista e ghostwriter une literatura e psicanálise para discutir o luto amoroso sem fórmulas prontas e abre reflexão sobre o que realmente perdemos quando um relacionamento chega ao fim
Durante anos, Mário Frazão ajudou empresários, artistas, atletas e políticos a contar suas histórias. Como ghostwriter, escreveu mais de 90 livros em nome de outras pessoas. Agora, pela primeira vez, decidiu contar a sua. O resultado é Não Procure Seu Ex, Procure Seu Eu – A psicanálise dos términos: por que é tão difícil seguir quando o casal acaba, lançamento da Luzes Editorial que chega às livrarias no dia 31 de julho, com lançamento na Livraria da Vila, às 19h, propondo uma conversa sobre o que realmente acontece quando um relacionamento termina.

Mais do que explicar por que algumas pessoas insistem em procurar o ex, a obra compreende por que, em certos casos, o fim de uma relação parece provocar um verdadeiro colapso da própria identidade.
“O sofrimento pelo término de uma relação nem sempre é proporcional ao amor que foi vivido. Muitas vezes já estamos em uma relação sem amor e, ainda assim, sofremos como se a vida tivesse acabado. Isso acontece quando fomos abrindo mão de quem éramos durante o relacionamento e transformamos o outro em um dos pilares da nossa existência. Quando esse pilar desaparece, parece que tudo desmorona”, afirma o autor.
A ideia nasceu de dois livros e de uma ausência
Antes de escrever sobre términos, Mário foi leitor. Em momentos decisivos da vida, encontrou na literatura um espaço de acolhimento que não encontrou em outros lugares. Quando perdeu o pai, foi Notas sobre o luto, de Chimamanda Ngozi Adichie, que o acompanhou. Anos depois, durante o fim do primeiro casamento, encontrou em O ano que morri em Nova York, de Milly Lacombe.
O que chamou sua atenção foi justamente o fato de nenhuma das duas autoras tentar ensinar o leitor a sofrer. “O que esses dois livros tinham em comum era o fato de não quererem ensinar nada ao leitor, eram duas autoras compartilhando suas dores, frustrações, erros, até preconceitos, de forma absolutamente vulnerável. Nos meus términos seguintes já não havia mais livros assim, que não fossem manuais pretensiosos e arrogantes, por isso resolvi que esse livro poderia ser útil.”
Escrever sobre si foi mais difícil do que escrever para os outros
Acostumado a permanecer nos bastidores do mercado editorial, Mário descobriu que escrever sobre a própria vida era muito mais desafiador do que emprestar a voz para outras pessoas. O livro levou cerca de três anos para ficar pronto e precisou disputar espaço com o trabalho como ghostwriter, editor, professor e produtor cultural.
“O mais difícil foi terminar o meu livro, porque meu foco precisava estar nas obras dos clientes. Foram três anos para finalizar e ainda passei um sufoco no final. Mas escrever como ghostwriter hoje é bem mais fácil do que era há 15 anos, quando comecei. Antes eu sofria muito ao entregar meus textos para outras pessoas, até entender que aqueles textos não eram meus, porque eu jamais escreveria sobre aqueles temas e contaria aquelas histórias, que, de fato, não eram minhas. Aos poucos fui entendendo o ghostwriter como uma profissão.”
A decisão de publicar também não foi simples. “Me sinto no trapézio sem rede de proteção. Na verdade, é um livro de psicanálise, uma proposta de ‘psicanálise dos términos’, e ele nasce de uma dor pessoal, então em vez de usar apenas casos clínicos ou escrever do ponto de vista de um especialista, eu decidi fazer uma narrativa pessoal. Só decidi lançar porque o desejo de colocar esse texto no mundo foi mais forte que o medo da exposição.”
Literatura e psicanálise caminham juntas
Embora seja construído a partir da psicanálise, o livro evita a linguagem acadêmica e não pretende funcionar como um manual de autoajuda. Ao longo dos capítulos, Mário aborda temas como narcisismo, ambiguidade afetiva, ansiedade, memória seletiva, melancolia, dependência emocional e repetição de padrões nos relacionamentos.
“Falo sobre modelos de relacionamento que absorvemos e reproduzimos, falo sobre o investimento da nossa libido nesse objeto perdido e como isso gera comportamentos obsessivos.E os temas vieram do meu processo analítico e também de casos clínicos meus e de colegas. Mas sobretudo temas que foram presentes na minha análise pessoal.”
Para o autor, o diferencial da obra está justamente em abrir espaço para a vulnerabilidade. “Como editor, os livros sobre relacionamento amorosos ainda são muito tímidos, em termos de publicação. O que proponho é não ensinar nenhum método, nenhum exercício, não é uma autoajuda clássica. Minha proposta é acompanhar o leitor no seu processo, porque como analistas, não costumamos dividir a nossa subjetividade com o analisante, mas às vezes faz falta para quem está do outro lado saber que o analista também já foi atravessado por dores, sofrimentos e questões emocionais.”
Um livro sobre términos, mas também sobre o nosso tempo
Para Mário, discutir o fim de relacionamentos vai muito além da vida afetiva. O tema ajuda a compreender questões como saúde mental, violência de gênero, masculinidades e a crescente dificuldade de lidar com perdas.
“Quando você olha para os casos de feminicídio, por exemplo, você enxerga a dificuldade das pessoas em lidar com o término. É claro que o que leva um homem a tirar a vida da ex-companheira é, sobretudo, um empilhamento de camadas de opressão que o modelo de masculinidade defendido pelo machismo impõe aos homens. Dentro dessa camada de opressão estão a dificuldade de lidar com a rejeição, com a dificuldade de ver a mulher como um sujeito autônomo, de falar sobre os próprios sentimentos, de aceitar a dor e as vulnerabilidades, revisitar a própria história e muitas outras.
Esse é apenas um exemplo da importância de falar sobre términos, outro, seria a quantidade absurda de uso de medicação psiquiátrica, que eu mesmo precisei tomar nesse processo, que é prescrita para dores emocionais ligadas ao final de casamentos e namoros. É um número absurdo e que cada dia tem aumentado. Então, se esse não for um assunto relevante, é difícil dizer o que é.”
Serviço
Livro: Não Procure Seu Ex, Procure Seu Eu – A psicanálise dos términos: por que é difícil seguir quando o casal acaba
Autor: Mário Frazão
Editora: Luzes Editorial
Lançamento: 31 de julho, das 19h às 21h, com bate-papo com o autor às 20h
Local: Livraria da Vila – Avenida Paulista, 1063, São Paulo.
Saiba mais sobre o autor
Mário Frazão é escritor, psicanalista, editor e mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Com mais de 20 anos dedicados à educação e mais de 15 ao mercado editorial, escreveu mais de 90 livros como ghostwriter para empresários, artistas, atletas e políticos, além de fundar a Luzes Editorial, onde atua na formação de novos autores. Em Não Procure Seu Ex, Procure Seu Eu, seu primeiro livro autoral voltado ao grande público, reúne literatura, psicanálise e experiências pessoais para refletir sobre o luto amoroso, a dependência emocional e a reconstrução da identidade após o fim de um relacionamento.
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