Crédito supera R$ 7 trilhões e impulsiona expansão de negócios financeiros pelo país
Carteira destinada às pessoas físicas cresce dois dígitos mesmo com juros elevados e amplia espaço para serviços de intermediação financeira fora dos grandes centros
Nem os juros elevados interromperam o avanço do crédito no Brasil. O saldo das operações do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em junho, encerrando o primeiro semestre com crescimento de 9,7% em 12 meses. Entre as pessoas físicas, o avanço foi ainda maior: 10,8%, levando a carteira a R$ 4,6 trilhões.
Os números do Banco Central mostram um mercado que continua crescendo mesmo diante de condições mais restritivas para o consumidor. Somente o crédito com recursos livres destinado às famílias alcançou R$ 2,5 trilhões em junho, alta de 11,2% em 12 meses.
Esse movimento vem abrindo espaço para empresas especializadas na intermediação de produtos financeiros e ajuda a explicar a expansão de redes do segmento para além dos grandes centros. A Azul Empréstimo, especializada na oferta de soluções de crédito, chegou à marca de 2 mil unidades comercializadas no país e projeta fechar 2026 com faturamento de R$ 300 milhões.
Para Ademilson Mendes, CEO da Azul Empréstimo, a expansão do mercado não significa necessariamente que o brasileiro esteja encontrando crédito com mais facilidade. “O que vemos é um consumidor que continua precisando de crédito, mas que passou a enfrentar uma decisão muito mais complexa. Com juros altos, pequenas diferenças de taxa, prazo e custo total podem representar muito dinheiro no orçamento. Isso aumenta a importância de comparar alternativas antes de contratar”, afirma.
A expansão ocorre em paralelo a outro movimento da economia brasileira. O franchising faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O país encerrou março com 204.908 operações de franquias.
O setor também vem ampliando sua presença fora das capitais. As franquias já alcançam cerca de 70% dos municípios brasileiros e, entre as 30 cidades com maior faturamento do franchising nacional, 14 não são capitais. Essas cidades respondem por 24% da receita do grupo, segundo levantamento da ABF.
Para Mendes, cidades médias e mercados regionais ganharam relevância também para empresas que atuam com serviços financeiros. “Durante muito tempo, havia uma percepção de que determinados negócios precisavam estar concentrados nos grandes centros. A digitalização mudou essa lógica. Hoje é possível operar de uma cidade do interior e atender consumidores de diferentes regiões, enquanto o conhecimento do mercado local continua sendo uma vantagem importante”, explica.
O cenário, entretanto, também traz um sinal de alerta. Dados mais recentes do Banco Central mostram que a inadimplência das operações de crédito com recursos livres chegou a 6,4% em julho. Entre as pessoas físicas, atingiu 7,8%, aumento de 1,1 ponto percentual em 12 meses.
A combinação entre demanda por crédito, digitalização dos serviços financeiros e avanço das franquias pelo interior ajuda a redesenhar a presença dessas empresas no país. No caso da Azul Empréstimo, a marca de 2 mil unidades comercializadas sinaliza a aposta nesse mercado mais pulverizado.






























