Campeão do quadro em 2023, participante em 2026 e formado em Educação Física, bailarino explica como diferenciar o desconforto dos ensaios de um sinal de alerta e destaca a importância do descanso para quem concilia dança com uma rotina intensa
Entrar na Dança dos Famosos significa, para boa parte do elenco, colocar o corpo diante de movimentos, giros, saltos e pegadas que nunca fizeram parte da rotina. E estar em ótima forma física não significa, necessariamente, estar preparado para esse tipo de esforço. Campeão da competição em 2023, Rolon Ho, que também é formado em Educação Física, chama atenção para um dos bastidores menos visíveis do quadro: o cuidado para que a busca pela melhor apresentação não termine em lesão.
O assunto ganhou ainda mais relevância depois do que aconteceu com Gracyanne Barbosa em 2025. Acostumada a uma rotina intensa de musculação, a influenciadora rompeu o tendão do quadríceps durante uma apresentação de lambada, passou por cirurgia e precisou abandonar a competição. Meses depois, ainda relatava limitações durante a recuperação. Agora, ela retorna para a edição de 2026.
Para Rolon, o caso ajuda a mostrar que condicionamento físico e preparação específica para a dança são coisas diferentes.
“Você pode continuar tendo uma rotina de treino, alongamento e várias outras atividades e incluir a dança, mas talvez fique puxado e exija demais do corpo. Quando o corpo está cansado, a probabilidade de lesão é muito maior. Uma torção, um pisar de mau jeito ou não ter força e equilíbrio suficientes para determinado movimento pode acabar provocando uma lesão”, explica.
Dor depois do ensaio é normal?
Nos primeiros ensaios, acordar sentindo músculos que aparentemente nem existiam pode fazer parte do processo. Segundo Rolon, a sensação pode ser parecida com a de voltar à academia depois de muito tempo parado.
“A dor que a gente sente após um treino de dança é muito semelhante à dor depois da musculação. São movimentos aos quais você não está habituado e, na dança, você pode sentir o corpo todo”, diz.
O alerta aparece quando a sensação deixa de ser apenas aquela dor muscular generalizada e passa a ser localizada, aguda ou diferente do habitual.
“Quando você sente alguma coisa em regiões como joelho, tornozelo, lombar ou ombro e percebe uma fisgada, alguma coisa diferente, precisa prestar atenção. É diferente daquele desgaste muscular comum.”
Corpo de academia não é corpo de dança
Ter força, músculos definidos e uma rotina regular de exercícios é uma vantagem, mas não elimina os riscos. A dança exige movimentos multidirecionais, mudanças rápidas de apoio, rotações, equilíbrio, explosão e interação constante com o corpo do parceiro.
É por isso que, na avaliação de Rolon, aumentar ainda mais a carga de treinamento ao entrar na competição pode ter o efeito contrário ao esperado. “Às vezes é preciso diminuir um pouco a intensidade de outras atividades para dar conta da dança. Se o corpo já chega cansado, qualquer esforço a mais pode aumentar o risco.”
Professor também precisa saber a hora de frear
Na pista, o trabalho do professor vai muito além de criar uma coreografia. É ele quem precisa perceber limites, adaptar movimentos e construir gradualmente a confiança do famoso.
“O professor não está ali somente para fazer coreografias e ensinar. Ele serve de apoio para o artista. A gente precisa dar condições para que ele se sinta seguro e saiba que pode contar com a gente”, afirma Rolon.
Agenda de gravações, shows e ensaios: onde entra o descanso?
Outro desafio enfrentado pelo elenco está fora da pista. A Dança dos Famosos é mais um compromisso dentro de agendas que já incluem gravações, novelas, shows, viagens e outros trabalhos.
“Às vezes, o professor viaja com o famoso para conseguir ensaiar no tempo livre. Mas o descanso é necessário. Não só o descanso, mas massagem e liberação miofascial também podem ajudar a deixar o corpo relaxado e preparado para receber a técnica que a gente desenvolve.”
As cinco dicas de Rolon Ho para evitar lesões no Dança e na vida
Na hora de resumir os cuidados que considera fundamentais para enfrentar o ritmo da competição, Rolon coloca recuperação e preparação no mesmo nível da própria coreografia.
1. Respeite o descanso. O corpo precisa de tempo para se recuperar entre uma sessão intensa e outra.
2. Não pule o aquecimento e o alongamento. Preparar o corpo antes da prática faz parte do próprio treino.
3. Sentiu medo ou insegurança? Fale. Em vez de executar um movimento travado ou sem entender a técnica, o artista deve pedir ao professor que explique novamente e encontre a melhor progressão.
4. Não tente avançar etapas. Um movimento que parece fácil quando visto de fora pode exigir força, técnica, equilíbrio e repetição.
5. Confie no processo do professor. “Quem está hoje na Dança dos Famosos como professor está entre os melhores do Brasil. Todos ali têm método e vão conseguir conduzir o famoso. Não precisa se jogar de cabeça e achar que já sabe porque viu alguém fazendo”, conclui.
Rolon Ho integra novamente o time de professores da Dança dos Famosos em 2026. Nesta primeira fase da competição, ele faz parte do Grupo C, formado pelos famosos Breno Ferreira, Giovana Cordeiro, Kenya Sade e Otaviano Costa.
Rolon Ho nas redes
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