O melhor aprendizado acontece quando a teoria encontra a realidade. É a partir dessa premissa que o Rock in Rio Academy 2026 promoveu, nesta quarta-feira (9), na Cidade do Rock, uma imersão nos desafios de liderar e tomar decisões em ambientes de alta complexidade.
Em sua nova edição, o encontro teve como tema “Orquestrando Sistemas Vivos Sob Pressão” e parte da experiência construída pelo Rock in Rio ao longo de mais de quatro décadas para transformar desafios reais, decisões estratégicas e aprendizados dos bastidores do festival em conhecimento aplicável. Voltado a executivos, empresários, gestores e profissionais que atuam em ambientes marcados por múltiplos stakeholders e cenários de alta pressão, o Academy propõe uma jornada em que cultura, estratégia, tecnologia, pessoas, marca e operação são entendidas como partes de um mesmo sistema. Ao longo do dia, os participantes tiveram acesso a conteúdos aplicados, conversas estratégicas, reflexões sobre decisões tomadas em contextos reais e experiências dentro da Cidade do Rock, em uma programação que conectou conhecimento, prática e troca entre diferentes perspectivas.
A programação reuniu especialistas e executivos em uma sequência de encontros que abordaram diferentes dimensões da gestão de sistemas complexos. Entre os destaques estiveram os painéis “Colaboração com maestria”, com Agatha Arêas; “A liderança da atualidade”, com Reynaldo Gama; “Todos numa direção: Cultura e Liderança Compartilhada”, com Luis Justo; “The show must go on: transições colaborativas”, com Luis Justo, Ronaldo Pereira e Agatha Arêas; “Presença e conexão através da emoção”, com Rodrigo Padilla, Grupo LATAM e Renata Guaraná; “Inovação e Sustentabilidade na Prática”, com Katielle Haffner, Coca-Cola Brasil e Letícia Freire; “Gestão sob pressão: os desafios do sistema vivo”, com Ricardo Acto e Jessica Cavalcanti; e “Orquestrando gerações: encontros estratégicos”, com Ana Deccache, Zé Ricardo e Joana Cardoso. O encerramento da jornada fica por conta de “Multiplicando o legado”, com Roberta Medina e Rodolfo Medina. O evento também ofereceu aos participantes diferentes formas de conhecer os bastidores do festival, por meio de visitas guiadas pelas trilhas de Gestão, Marketing e Produção, experiências e dinâmicas de tomada de decisão.
Colaboração com maestria com Agatha Arêas
No painel “Colaboração com maestria”, Agatha Arêas, fundadora da Provoke e criadora do Rock in Rio Academy, destacou a proposta do encontro de aproximar conhecimento e experiência a partir dos desafios concretos de uma operação de grande complexidade. A abertura do Academy reforçou a Cidade do Rock como um espaço de aprendizado aplicado, no qual participantes e executivos da Rock World puderam compartilhar experiências, refletir sobre decisões reais e transformar os bastidores do festival em repertório para diferentes contextos profissionais. “Esta 10ª edição do Rock in Rio Academy reafirmou a força de transformar conhecimento em experiência e experiência em conexão. A Cidade do Rock virou uma imensa sala de aula, aproximando participantes, executivos da Rock World e desafios reais de uma operação dessa complexidade, e mostrando, mais uma vez, o valor de transformar os bastidores de um dos maiores festivais do mundo em aprendizado aplicável para líderes de diferentes setores”, afirmou Agatha.
A liderança da atualidade com Reynaldo Gama
Abrindo a discussão sobre os novos desafios da liderança, Reynaldo Gama, CEO da Ânima Empresas, destacou a necessidade de repensar os modelos tradicionais de gestão diante de um cenário em constante transformação. Na palestra “A liderança da atualidade”, o executivo abordou conceitos como liderança relacional, humana e criativa, ressaltando a importância da vulnerabilidade e da experiência na formação de novos líderes. A partir da proposta do Rock in Rio Academy de levar a sala de aula para dentro de um ambiente real, Gama também destacou a combinação entre educação, cultura e experiência como elementos fundamentais para ampliar o repertório de quem lidera. “A gente está na décima edição do Rock in Rio Academy, sempre tentando trazer inovação e trazer a sala de aula para dentro do festival. Este ano, a minha temática foi liderança, e falamos muito sobre essa liderança relacional, humana e criativa. Eu costumo dizer que a gente está vivendo uma era do ineditismo e que não tem especialista em coisa inédita. Então, tentamos trazer um pouco disso, dessa vulnerabilidade, dessa cultura de experiência que o Rock in Rio tem. É essa mistura de educação, cultura e experiência, tudo isso dentro do festival”, afirmou.
Todos numa direção: Cultura, Liderança Compartilhada e Transições Colaborativas com Luis Justo, Ronaldo Pereira e Agatha Arêas
A importância de manter pessoas unidas em torno de um mesmo propósito foi o ponto central da conversa “Todos numa direção: Cultura e Liderança Compartilhada”, conduzida por Luis Justo, CEO da Rock World. Ao abordar a cultura e a liderança compartilhada, o executivo destacou a dimensão coletiva por trás da operação do Rock in Rio, que envolve milhares de pessoas trabalhando em uma mesma direção para transformar sonhos em realidade e construir a experiência do festival. Para Justo, a excelência de uma operação dessa dimensão não está em atalhos, mas na atenção aos detalhes e, sobretudo, nos valores que orientam as decisões mesmo quando não estão sob os holofotes. O executivo também ressaltou a importância da integridade e do cuidado com as pessoas que fazem o festival acontecer, citando como exemplo as estruturas de apoio disponibilizadas nos bastidores para os trabalhadores, com espaços de descanso, alimentação, água e condições adequadas de trabalho, além de uma equipe de fiscalização dedicada a acompanhar essas condições durante a operação. “Falar sobre todos numa mesma direção é a raiz da cultura que faz tudo acontecer. Afinal, são 28 mil pessoas que precisam estar unidas por um único propósito para transformar sonhos em realidade e fazer a experiência do Rock in Rio acontecer. Não tem atalho: a mágica está na soma da atenção a todos os detalhes. E integridade é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está vendo. É por isso que temos, nos bastidores, bases de apoio para que os funcionários possam descansar, tomar banho, comer e ter água, além de uma equipe fiscalizando para garantir que essas condições dignas de trabalho estejam sendo preservadas”, afirmou.
Já no painel “The show must go on: transições colaborativas”, conduzido por Agatha Arêas, Luis Justo e Ronaldo Pereira compartilharam reflexões sobre o processo de transição e sucessão, destacando como uma passagem estruturada pode contribuir para preservar a cultura e garantir a continuidade do legado. O momento também foi marcado por uma homenagem a Justo, que encerra um ciclo de 15 anos de trajetória à frente da Rock World, com reconhecimento à sua parceria com o Academy desde os primeiros passos do projeto. Agatha destacou a contribuição do executivo para aproximar educação e entretenimento e sua disposição, ao longo dos anos, em transformar os bastidores do festival em espaço de aprendizagem e troca. “Nesse momento de transição e olhar para futuro e legado, ter a oportunidade de compartilhar como tem sido esse processo junto com a Agatha e o Ronaldo, que está assumindo essa posição, mostra como uma sucessão bem construída e estruturada é olhar para o futuro e para a permanência do legado”, afirmou Justo.
Durante a homenagem, Agatha também ressaltou a parceria construída desde a criação do Academy, há 11 anos, lembrando que Justo foi um entusiasta da iniciativa desde o início e apoiou a ideia de levar a educação para dentro do universo do entretenimento. Ronaldo, por sua vez, ressaltou a dimensão afetiva dessa passagem e a importância da paixão pela marca como parte da cultura compartilhada. “Falamos um pouco sobre sucessão e sobre a maneira como o Luis fez esse processo, de forma muito organizada, durante quatro meses, passando para mim um pouco dessa magia e dessa paixão que é o Rock in Rio e fazendo toda a transição com muito cuidado e carinho. Na sucessão, falamos muito de paixão também. Eu sou fã da marca há muito tempo e passei do lado de fã para o lado de quem trabalha na casa. E essa paixão pelo Rock in Rio é algo que se transmite”, contou.
Presença e conexão através da emoção com Rodrigo Padilla e Renata Guaraná
No painel “Presença e conexão através da emoção”, Rodrigo Padilla, do Grupo LATAM, e Renata Guaraná, diretora de Parcerias da Rock World, discutiram como a conexão emocional e a construção de experiências são fundamentais para aproximar marcas e público. A conversa também trouxe a perspectiva das marcas que se associam ao Rock in Rio e encontram na plataforma do festival um espaço para construir experiências e compartilhar aprendizados. Renata destacou a importância dessa troca como parte da própria cultura do Academy, mostrando como os estudos de caso ganham força quando as marcas participam ativamente da construção e da narrativa das experiências. “É sempre super importante trazer para essa dinâmica do Academy a vivência das marcas. A gente, em parcerias, gosta muito de convidar as marcas para falar junto com a gente, porque é um pilar nosso de cultura, esse aprendizado mútuo, e ver o número, que só cresce, de marcas renovando e mantendo a experiência, se apropriando da plataforma de música junto com o festival. Então, convidar as marcas é um momento mágico, em que a gente vê as histórias sendo contadas e a forma como elas enxergam o que a gente tanto prega e acredita acontecendo de fato. Para um estudo de caso ao vivo, nada melhor do que trazer a marca para contar junto com a gente o que aprendemos juntos e fazemos melhor a cada edição”, afirmou Renata Guaraná.
Rodrigo Padilla ressaltou que a participação da LATAM no Academy permitiu compartilhar como a companhia vem trabalhando para construir uma relação mais emocional com seus clientes, tendo a música e o entretenimento como territórios de conexão. “A experiência de participar do Rock in Rio Academy representando a LATAM foi fantástica. O evento promove uma discussão muito produtiva e colaborativa, e foi um privilégio poder falar sobre como a companhia tem buscado cada vez mais se conectar com o cliente em uma esfera emocional, muito mais do que funcional. A gente não quer apenas levar as pessoas do ponto A ao ponto B; queremos uma conexão emocional para ganhar não somente a cabeça, mas também o coração dos nossos clientes. O Rock in Rio nos oferece uma plataforma de conexão emocional e de construção de experiências memoráveis”, afirmou.
Inovação e Sustentabilidade na Prática com Katielle Haffner e Letícia Freire
No painel “Inovação e Sustentabilidade na Prática”, Katielle Haffner, da Coca-Cola Brasil, e Letícia Freire, gerente de Sustentabilidade Operacional da Rock World, apresentaram como a colaboração entre empresas pode transformar compromissos de sustentabilidade em soluções concretas para eventos de diferentes dimensões. A conversa trouxe como exemplo a parceria entre Rock in Rio e Coca-Cola, mostrando como práticas e processos podem ser adaptados a diferentes realidades e como a busca por soluções sustentáveis passa por um processo permanente de revisão e aperfeiçoamento. Letícia destacou ainda que os desafios relacionados aos impactos de grandes eventos exigem uma atuação conjunta entre diferentes parceiros, já que tanto os impactos quanto as soluções são construídos de forma coletiva. “Aproveitamos o painel para demonstrar as grandes parcerias que temos, neste caso específico com a Coca-Cola, e mostrar como conseguimos descomplicar a sustentabilidade e como é possível colocá-la em prática em eventos de grande ou pequeno porte. A gente redesenha nossos processos a cada edição porque temos um compromisso com a melhoria contínua e estamos sempre em busca de parceiros para desenvolver esses projetos. Não fazemos nada sozinhos: nossos impactos são coletivos e as soluções também precisam ser”, comentou Letícia Freire.
Gestão sob pressão: os desafios do sistema vivo com Ricardo Acto e Jessica Cavalcanti
No painel “Gestão sob pressão: os desafios do sistema vivo”, Ricardo Acto, COO Rock in Rio, e Jessica Cavalcanti, Gerente do Projeto Rock in Rio, discutiram os desafios da gestão de crises e da tomada de decisões em situações imprevisíveis, especialmente quando é necessário agir rapidamente diante de acontecimentos que fogem do planejamento. A conversa destacou como a capacidade de resposta em ambientes complexos depende de uma estrutura de governança de alta performance, com autonomia e responsabilidade técnica distribuídas entre diferentes níveis da organização. “Nós vamos falar sobre gestão de crise e, principalmente, sobre o que é necessário para tomar decisões que estão em cima da hora, especialmente diante de situações imprevisíveis que saem dos planos e que a gente gostaria de evitar. E o quanto isso tem impacto na governança de alta performance, ou seja, como é importante ter autonomia e responsabilidade técnica para que um plano tão grande, nas diferentes hierarquias, consiga ser colocado em prática. Então, o nosso bate-papo é muito acerca disso, da experiência de equipe, da autonomia”, explicou Ricardo Acto.
Orquestrando gerações: encontros estratégicos com Ana Deccache, Zé Ricardo e Joana Cardoso
No painel “Orquestrando gerações: encontros estratégicos”, Ana Deccache, Diretora de Marketing da Rock World, Zé Ricardo, Vice-Presidente Artístico da Rock World e Joana Cardoso, Gerente de Conexões e Influência da Rock World, discutiram os desafios e as oportunidades de construir uma comunicação capaz de dialogar com diferentes gerações sem perder a identidade de uma marca. A partir do Rock in Rio como exemplo de plataforma que atravessa décadas e reúne públicos diversos, os participantes destacaram a importância de uma estratégia integrada, que combine uma narrativa comum com conversas específicas para diferentes comunidades, fandoms e perfis de público. Ana ressaltou que, embora o festival estabeleça uma grande conversa pautada pela alegria, pela magia e pela vontade de viver uma experiência especial, também é necessário compreender as particularidades de cada comunidade para criar conexões mais direcionadas. “Orquestrar gerações dentro do maior festival de música e entretenimento do mundo é um desafio e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade. O Rock in Rio é uma plataforma que conversa com diferentes gerações, e fazemos isso a partir de um olhar integrado de comunicação, que dialoga com todos por meio da alegria, da festa e do desejo de viver um dia incrível. Ao mesmo tempo, construímos conversas específicas com as comunidades de cada fã, de cada artista e de cada geração. É a partir dessa grande colcha de retalhos que construímos uma comunicação amarrada e integrada, capaz de falar do K-Pop ao Elton John, com pessoas de diferentes idades e perfis, que, no fim do dia, querem viver a mesma coisa: um dia incrível”, afirmou.
Zé Ricardo, por sua vez, destacou que esse encontro de gerações é parte fundamental da própria construção do festival, que consegue conectar tendências contemporâneas a artistas que atravessam gerações sem abrir mão de sua identidade. “O encontro de gerações é necessário para a existência de um mega festival. O Rock in Rio tem quatro décadas e consegue ter Stray Kids, que é uma tendência nova, mas, ao mesmo tempo, ter Elton John. É sobre como o Rock in Rio se conecta com os valores do seu tempo sem perder a sua identidade através do tempo. Essa conversa também amplia o jeito que as pessoas enxergam a construção do nosso line-up”, explicou.
Joana Cardoso complementou a discussão ressaltando o papel da emoção na construção desse pertencimento entre públicos diferentes. “O Rock in Rio é um ótimo exemplo de uma marca que já atravessou quatro décadas de história e que tem hoje o desafio de como comunicar com todas essas diferenças e essa multigeracionalidade. Como agarramos essas diferenças e fazemos com que elas façam parte da mesma história? Colocamos a emoção para trabalhar junto. Nada disso seria possível se não tivéssemos o coração a trabalhar e a serviço do que a gente faz. É assim que continuamos a conduzir a emoção e fazemos com que todos, com suas diferenças, se sintam pertencentes ao mesmo lugar”, afirmou.
Multiplicando o legado com Roberta Medina e Rodolfo Medina
No painel “Multiplicando o legado”, Roberta Medina, vice-presidente executiva e sócia-fundadora da Rock World, e Rodolfo Medina, vice-presidente de Parcerias e sócio-fundador da Rock World, encerraram a programação de conteúdo do Rock in Rio Academy 2026 com uma reflexão sobre a capacidade de uma marca atravessar gerações mantendo sua essência, mas sem deixar de se transformar. A partir dos 41 anos de história do Rock in Rio, os executivos destacaram a importância de reconhecer o DNA que orienta as decisões da organização e, ao mesmo tempo, encontrar novas formas de traduzi-lo em experiências e conexões. Roberta ressaltou que o papel do Academy também é revelar a gestão e a operação que existem por trás de um projeto tão reconhecido pelo público e compartilhar como a marca consegue permanecer atual ao longo do tempo. “Acho que a missão do Academy é usar um projeto inspirador como o Rock in Rio, um tema que toca tantas pessoas, como a música e o entretenimento, para mostrar que, por trás de tudo isso, existe uma grande gestão, uma grande operação e uma história de 41 anos que se propõe a durar por muito mais tempo. Eu viro e mexo faço a pergunta: como é que o Rock in Rio está tão atual, como é que ele continua sendo o mesmo Rock in Rio de 1985, apesar da atualização da tecnologia, das novidades e da inovação constante? Acho que é porque existe esse DNA, essa coluna que une tudo o que fazemos ao longo do tempo. A nossa missão é ajudar toda a equipe e os executivos a distinguir o que é Rock in Rio e o que não é Rock in Rio, como base dessa transformação constante. Não é ficar igual, mas respeitar esse DNA em tudo o que a gente faz”, comentou Roberta.
Rodolfo complementou a reflexão a partir da perspectiva das parcerias, destacando que a construção do legado também acontece na relação com marcas e parceiros que passam a fazer parte da história do festival. “Acho que multiplicar o legado passa justamente por entender o que é essencial e o que pode se transformar. O Rock in Rio está sempre se renovando, e nosso papel nas parcerias é encontrar marcas e parceiros que entendam esse DNA e possam construir com a gente novas experiências sem descaracterizar aquilo que somos. Não queremos simplesmente repetir o que já foi feito, mas garantir que, em cada nova parceria, em cada nova experiência, aquilo que faz o Rock in Rio ser o Rock in Rio continue presente. É essa combinação entre essência e transformação que permite que a gente avance e, ao mesmo tempo, preserve o legado”, afirmou Rodolfo Medina.




































