Com “Shoot Bang Kill”, Yann dá início a um dos projetos mais pessoais de sua carreira. Lançada recentemente, a faixa une synth-pop com referências dos anos 1980, cultura queer e uma narrativa autobiográfica para falar sobre um sentimento universal: o amor que chega justamente quando se acredita estar emocionalmente protegido. Mais do que um novo single, o artista enxerga o lançamento como o primeiro capítulo de uma história maior, construída ao longo de dois anos e guiada pela honestidade.
“Toda vez que uma música minha vai para o mundo, existe aquele momento em que penso: ‘Será que eu deveria mesmo estar dizendo isso em voz alta?’. Mas aprendi que a parte de mim que sente vergonha de expor uma experiência íntima é a mesma que precisava ouvir alguém falando sobre aquilo. Se eu me escondo, me traio duas vezes: como artista e como pessoa”, reflete.

Morando em Nova York há alguns anos, Yann explica que cantar em inglês foi uma consequência natural da vida que passou a construir na cidade. “Os relacionamentos, as brigas, as reconciliações… tudo aconteceu nesse idioma. Quando chegou a hora de escrever sobre isso, os versos vieram exatamente na língua em que essa experiência foi vivida.” Para ele, a escolha também influencia a maneira como a emoção é transmitida. “O português sabe ser romântico sem esforço. O inglês é mais seco, mais direto. Para uma música sobre se apaixonar contra a própria vontade, essa secura funcionou. Sobrou espaço para a emoção respirar sem precisar ser anunciada.”
Embora suas composições dialoguem frequentemente com vivências LGBTQIAPN+, Yann faz questão de mostrar que a força das histórias está justamente na sua especificidade. “As pessoas falam do ‘universal’ como se ele fosse neutro, mas é o específico que carrega o poder. Quando escrevo sobre me apaixonar por um homem em Nova York depois de um relacionamento que terminou mal, estou sendo o mais específico possível. E é justamente isso que faz alguém se identificar. Quanto mais eu sou eu, mais gente encontra alguma coisa de si ali dentro.”
Agora, com o início desse novo projeto, o cantor espera que cada capítulo cumpra um papel muito simples, mas profundo: acompanhar quem estiver ouvindo. “Se, no final dessa jornada, a pessoa sentir que não passou por tudo aquilo sozinha, que tinha alguém dizendo ‘eu também passei por isso’, então o trabalho cumpriu o que veio fazer.”
Ouça o single abaixo:




































