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Rock em dobro: Segundo dia do Rock in Rio celebra o gênero com muitos mosh pits e uma apresentação arrebatadora do Avenged Sevenfold no Palco Mundo

Foto de Beatriz Arasanoli

Beatriz Arasanoli

6 de setembro de 2026

Avenged Sevenfold Créditos: ALEX WOLOCH

A Cidade do Rock viveu neste sábado (5) mais um dia de celebração do rock, em uma jornada marcada por rodas punk, mosh pits, guitarras, vocais intensos e um público completamente conectado com as bandas. No segundo dia do Rock in Rio 2026, dedicado novamente ao gênero, cada artista transformou a cenografia do Palco Mundo em uma nova experiência, explorando, cada um à sua maneira, todas as possibilidades do espaço e dos 2.400 m² de LED que ganharam diferentes formas e narrativas a cada apresentação. Sepultura realizou seu penúltimo show da carreira e sua última apresentação no Rock in Rio, seguido por mgk (Machine Gun Kelly), Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold, que encerrou a noite como headliner. No Palco Sunset, Bad Omens comandou o último show do espaço, depois de apresentações de Poppy, Black Pantera com Nervosa e Malvada com Day Limns, ampliando a diversidade e a potência da programação roqueira. 

Luíza Batista, 32 anos, professora do Rio de Janeiro e fã de carteirinha do festival, aprovou o line-up. “Foi o primeiro dia que escolhi para comprar meu ingresso. Minha atração preferida é a banda Bring Me The Horizon”, comentou ela, que está em sua oitava edição do Rock in Rio. “Sou membro do Rock in Rio Club e já vou renovar para marcar presença em 2028. O rock esteve presente na minha vida em muitos momentos. A energia de estar no Rock in Rio é surreal. Faz você viver o aqui e agora e esquecer o que está lá fora, a vida acontecendo. Você só está vivendo o momento aqui”, explicou, diretamente da grade do Palco Mundo. 

Palco Mundo transforma a Cidade do Rock em território de riffs e mosh pits 

O Palco Mundo começou o dia com um momento histórico: o Sepultura fez seu penúltimo show da carreira e a última no Rock in Rio. A performance revisitou apenas músicas da fase do vocalista Derrick Green, que comandou o público com maestria. Com direito a remanda viking e muitos mosh pits no gramado, do palco a banda entoou sucessos como “Against” e “Choke” em uma apresentação que abusou do telão de LED e proporcionou aos fãs uma experiência arrebatadora.  

Na sequência, mgk levou toda sua intensidade e irreverência ao festival com muita pirotecnia, efeitos visuais, dança e guitarra pesada. O artista abriu o show com “Fix ur face”, do seu primeiro álbum, “Lace up” e passeou por outros sucessos da carreira, com “Don’t Wait Run Fast” e “Till I Die”. O bad boy mostrou que estava disposto a tornar sua passagem pelo Brasil especial com muita interação, inclusive em português, e proximidade com os fãs.  

O terceiro show da noite no Palco Mundo marcou a estreia do Bring Me The Horizon, uma das bandas mais influentes do rock contemporâneo e também uma das mais pedidas pelos fãs – que tiveram sua expectativa correspondida a altura. O vocalista Oli Sykes se mostrou um verdadeiro maestro diante de uma plateia que estava afinada com todos os comandos do palco e acompanhou o espetáculo, repleto de efeitos visuais potentes por toda a extensão dos LEDs e referências do universo dos games. A sinergia entre fãs e ídolos ficou evidente em canções como “Can you feel my heart” e Teardrops”.  

Fechando a noite, o Avenged Sevenfold levou ao Palco Mundo a força do heavy metal em uma apresentação potente, com projeções arrepiantes no gigante LED do Palco Mundo, contando até com efeitos 3Ds que surpreenderam toda a plateia. Riffs pesados, público efervescente e músicas que já são grandes clássicos da banda trouxeram uma atmosfera única para a Cidade do Rock, que viveu um dos grandes shows dessa edição. 

Palco Sunset reúne diferentes vertentes do rock e celebra potência, representatividade e novas linguagens 

O Palco Sunset também teve um dia dedicado à força do rock em diferentes formatos. A abertura ficou por conta de Malvada, que convidou Day Limns para uma apresentação que transitou entre o hardcore, o pop e o rock. Um dos momentos mais marcantes foi a homenagem à Rita Lee, quando elas cantaram “Ovelha Negra” e exibiram no telão imagens de uma das grandes referências ferminas no rock nacional.  

Na sequência, Black Pantera e Nervosa se encontraram em um show que reuniu as duas bandas completas no palco, incluindo duas baterias, e mantiverem a energia lá no alto. O trio dos mineiros abriu com “Hórus” e “Continental”, enquanto Prika Amaral subiu ao Sunset com “Serotonina”. Em uma performance intensa e com letras que abordam temas resistência e questões sociais, a vocalista do Nervosa incentivou uma roda formada somente por mulheres e foi prontamente atendida pelas fãs.  

Depois, Poppy trouxe para a Cidade do Rock um universo próprio, transitando por diferentes linguagens e sonoridades que passam pelo pop experimental, metal industrial, rock alternativo e hyperpop. Devidamente vestida com as cores da bandeira do Brasil, a artista transformou o palco em uma extensão de seu universo artístico. Dentre os sucessos apresentados, estava “I disagree”, que rendeu à artista uma indicação ao Grammy. 

Encerrando a programação, Bad Omens comandou um show que trouxe a atmosfera única da banda, com sua produção sofisticada e sonoridade que transita entre o metalcore, o rock alternativo, o dark-pop e a música eletrônica. A banda, liderada por Noah Sebastian, equilibrou momentos pesados e emocionais em uma apresentação que manteve o público conectado até o fim. 

Show de drones celebra o Dia da Amazônia e reforça parceria com a AXIA Energia para descarbonizar 100% das emissões do festival  

O sábado também foi marcado pelo Dia da Amazônia. Para celebrar a data, o céu da Cidade do Rock ganhou um espetáculo especial de drones com cores e formas, reforçando o papel de cada pessoa na preservação da floresta. A apresentação dialoga com o plantio de 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras que o Rock in Rio realizará na região como parte do processo de descarbonização de 100% das emissões de gases de efeito estufa da edição de 2026, parceria com AXIA Energia.  

A trajetória do festival em defesa da floresta reúne iniciativas de grande impacto, como o Amazônia Live, lançado em 2016 com uma apresentação do tenor Plácido Domingo no Rio Negro. O projeto promoveu o plantio de mais de 4 milhões de árvores no território, além de contribuir para a recuperação do rio Xingu e a revitalização de áreas desmatadas. Já em 2025, o Rock in Rio promoveu o Amazônia Live – Hoje e Sempre, um espetáculo memorável no Rio Guamá, direcionando a atenção mundial para a causa e destinando R$ 2 milhões a seis iniciativas locais voltadas à bioeconomia e aos povos da floresta. 

Da nova geração ao metal histórico, Espaço Favela, Supernova e Global Village ampliam o mapa do rock 

A programação dos demais espaços mostrou que a força do rock se espalhou por toda a Cidade do Rock. No Espaço Favela, Quantum abriu o dia, seguido por Canto Cego, banda de raízes fincadas na cena carioca, até a chegada de Major RD, que encerrou a programação com um show marcado por sucessos de sua carreira e participações especiais.  

No Supernova, ZeROBADASS deu início à programação, seguido por MC Taya e LVCAS, que incendiou a plateia. A cantora carioca Jully Sanders, 26 anos, assistiu ao show com esperança. “Eu sou artista também. Já vim em outras edições do Rock in Rio e vi LVCAS aqui na pista igual a mim, curtindo. Hoje ele está se apresentando num show lotado. Quem sabe um dia não sou eu”, acredita. Fechando a noite deste sábado no Supernova, a banda Supercombo apresentou sucessos da carreira.  

O dia dedicado ao heavy metal no Global Village começou com a banda paraense Rhegia, que propõe unir o rock aos mistérios e encantos da floresta amazônica. Algumas pessoas que chegaram cedo ao festival pararam para curtir os riffs e elementos sinfônicos do grupo. A segunda atração do espaço foi o Noturnall, que, sob a chuva, animou a plateia com vocais potentes, guitarras pesadas e muita presença de palco. A banda Korzus foi a última a se apresentar. Com um thrash metal impactante, o grupo comandou um público numeroso, que dançou e pulou ao som de uma roda de punk. 

“Eu não conhecia a banda, mas fiquei pelo Global Village e curti o som”, relatou a estudante Juliane Oliveira, de 19 anos. “Não consegui vir ontem, mas hoje não tinha como perder. Está sendo muito legal escutar as bandas de que sou fã e ainda descobrir novas”, continuou a carioca. 

New Dance Order mantém a Cidade do Rock em movimento madrugada adentro 

Enquanto os últimos acordes do rock ecoavam pelos outros palcos, o New Dance Order manteve a pista em movimento. Victor Lou abriu a programação como o Special Opening do dia, seguido pelo encontro entre Camila Jun e Eli Iwasa, que reuniu diferentes referências da música eletrônica em um set sofisticado. Volkoder assumiu a pista na sequência, preparando o público para James Hype, responsável por encerrar a programação da noite com um set de alta energia e batidas que conduziram a Cidade do Rock madrugada adentro. 

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